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Falando Nisso: O museu de cada um
Renato Lemos
Já tive o meu museu do lixo. Era um bom museu, formado por coisas que já não me serviam mais que eu relutava em jogar fora. Um Falcon sem cabeça, por exemplo. Um álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro de 1977 pela metade. Uma camisa Val Surfe - com uma estampa inspirada num desenho do Crumb - tamanho 12. Coisas aparentemente inúteis, mas que, juntas, podem contar um pouco da minha história. Um dia minha mãe juntou meu acervo, colocou dentro de umas sacolas das Casas da Banha e deu sumiço.
Cheguei a ter esperanças de reencontrá-los no Museu da Limpeza Urbana. Nem isso. O museu, mantido pela Comlurb no Caju, é dirigido para apetrechos usados na limpeza das ruas e não ao que nelas se recolhe. Estão por lá carrinhos, vassouras e fotos que contam a história da coleta de lixo na cidade. Vale a pena dar uma espiada. Mas se forem lá pensando em encontrar coisas que se arrependeram de tacar no lixo, podem tirar o cavalo da chuva. Não vão encontrar. Votos jogados fora, por exemplo, nem pensar.
[30/SET/2005]
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