|
|
Cinema: Obsessões refinadas
'Má educação' e Gael García Bernal dividem as opiniões dos críticos
Gustavo Leitão
[12/NOV/2004]
Certos diretores criam uma assinatura tão específica que acabam reféns dela. Almodóvar faz parte desse time com obsessões muito reconhecíveis, mas tem a vantagem de ter refinado sua receita. Má educação traz de volta tudo o que aprendemos a chamar de almodovariano: cores fortes, transexuais, erotismo, ingredientes do melodrama, latinidade e auto-referência. De uns tempos para cá, entretanto, a histeria dos primeiros filmes foi diluída e o espanhol aprendeu a tratar seus enredos com mais delicadeza e profundidade. Ironicamente, a história deste é das mais cascas-grossas: na infância, dois alunos de um colégio católico se apaixonam e têm que enfrentar as conseqüências do abuso sexual de um padre. Anos mais tarde, Enrique (Fele Martínez), agora diretor de cinema, recebe a visita de Angel (Gael García Bernal), que traz um roteiro sobre o episódio.
A condução da narrativa revive o tom de suspense de Matador, com direito a uma bela trilha que lembra Bernard Herrmann, parceiro de Hitchcock. O que mais prende a atenção é o jogo de aparências que envolve os personagens, que sempre surpreendem. Desenhados com humanidade, eles ainda ganham boas interpretações de Fele e do muso Gael, que está incrivelmente à vontade de salto alto, batom e peitinhos. .HHH.
|
|
Copyright © 1995, 2000, Jornal do Brasil.
É proibida a reprodução
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/programa/2004/11/11/jorprg20041111002.html
|