Janeiro parece mesmo ter som de renovação musical. Ano após ano tem sido assim. Neste 2003, nada menos que cinco lugares na cidade vão montar diferentes festivais e encontros com a nata da música jovem carioca: Marina da Glória, Espaço Cultural Sérgio Porto, Ballroom, Teatro Rival e Hard Rock Café. O filão da novidade musical dá mote ao
ATL Rio de verdade nas quintas de janeiro, realizado nas lonas da Marina da Glória.
Ali, sempre às quintas, o cantor Rogê se transforma em mestre de cerimônias para receber artistas como Seu Jorge e Luiz Melodia (na próxima quinta, dia 9), Sandra de Sá e Zé Ricardo, que desenvolve com a cantora o projeto Música preta brasileira (na quinta 16), Marcelo Falcão e Martinho da Vila (na quinta 23). Existe ainda a expectativa de um show de Marcelo D2 fechando o projeto, no dia 30.
No Espaço Cultural Sérgio Porto, a partir da próxima semana, rola a 11ª edição do Humaitá pra peixe (para muitos, o HPP), referência entre os festivais que reúnem novos talentos da música contemporânea brasileira. Programado para as terças e quartas-feiras de janeiro, o festival do agitador cultural Bruno Levinson apresentará 15 boas atrações por todo o mês. A fim de mostrar a diversidade musical made in Brazil, Bruno convidou músicos de todas as estirpes.
''A variedade sempre foi uma característica do festival. Nunca quis ser só rock ou só rap, a idéia é reunir de tudo um pouco'', explica. Na escalação dos artistas, Bruno escolhe gente nova com potencial para fazer carreira. ''São artistas que estão em vias de lançamento de seus primeiros discos ou que já lançaram, mas que continuam merecendo espaço'', explica. O HPP já projetou nomes como a banda Planet Hemp e o guitarrista Davi Moraes, filho de Moraes Moreira. ''Os dois foram contratados por gravadoras no camarim do festival'', conta Bruno. Nesta temporada há mesmo espaço para todos os ritmos: rock, pop, eletrônico e underground, por exemplo. A noite de abertura (na próxima terça, dia 7) promete ser uma das melhores.
O grupo paulista Instituto dá início à festa recebendo convidados como B. Negão e Otto para o lançamento do disco Coleção nacional. Formado pelo trio de produtores Rica Amabis, Tejo Damasceno e Daniel Ganja Man, o Instituto bate no liquidificador samba, bossa, maracatu, eletrônico, dub, rock e MPB. Juntos, eles já produziram os novos discos dos rappers Racionais MCs, do grupo recifense Nação Zumbi e do gaúcho Ultramen, além das trilhas dos filmes O invasor (de Beto Brant) e Seja o que Deus quiser (de Murilo Salles).
Entre as outras atrações do HPP estão Netunos e Onno (no dia 14), Stereo Maracanã (dia 21), Linox (dia 28) e Lucas Santtana (dia 29). A novidade desse ano é que Bruno Levinson decidiu abrir espaço para um debate, no dia 27 de janeiro, sobre o atual momento do mercado fonográfico brasileiro. Estarão na mesa diretores artísticos de gravadoras, selos independentes, artistas, jornalistas e outros profissionais que atuam no mercado.
Com uma das melhores programações de shows da cidade, o Ballroom promete ser point oficial da boa música durante o verão. A partir deste fim de semana, a casa do Humaitá vai abrigar excelentes temporadas sonoras. Duas propostas diferentes e inovadoras vão se revezar de 15 em 15 dias (às quintas): Choro da Lapa - Nicolas Krassik e convidados (nos dias 9/1, 23/1, 6/2 e 20/2) e a festa Estação Balanço (nas quintas que sobraram). A primeira atração será o violonista francês Nicolas Krassik dividindo o palco com feras da MPB ou músicos que atuam nas rodas de choro da Lapa.
Entre seus convidados estão nomes como Yamandú Costa, Maurício Carrilho, João Bosco, Henrique Cazes, Tira Poeira, Abraçando Jacaré, Mestre Zé Paulo e a dupla Zé da Velha e Silvério Pontes. Krassik descobriu a Lapa e seus encantos em 2001 e resolveu ficar por aqui para fazer parte deste movimento. Desde então vem tocando em casas tradicionais, como o Semente, que revelou a jovem e talentosa Tereza Cristina. O outro evento que promete recolher tribos na quinta-feira é o Estação Balanço, festa dançante de samba-rock com show da banda Sambassim (recebendo participações especiais) e pista com o DJ André da Lagoa. O evento é uma espécie de continuação do projeto Raízes, sucesso durante seis anos no Ballroom, sob comando do produtor Rodrigo Guimerà. Com apoio da loja e oficina Maracatu Brasil, do barão vermelho Guto Goffi, o balaco é direcionado a quem gosta da mistura de ritmos brazucas.
A banda Sambassim faz uma bem-sucedida salada de percussões com música eletrônica. E não é só às quintas-feiras que o Ballroom vai bombar. Na próxima quarta (dia 8), o Bossa Cuca Nova também inicia sua temporada recebendo canjas. O grupo, formado pelo DJ Marcelinho da Lua, o tecladista Alexandre Moreira e o baixista Márcio Menescal, fará plantão todas as quartas no Ballroom para dar seqüência à divulgação de seu segundo disco, Brasilidade, que junto com o primeiro CD (releituras de clássicos da bossa nova) vendeu quase 80 mil cópias no exterior. Na primeira semana o Bossa Cuca Nova terá reforço do violão de Roberto Menescal, seguido do pianista Marcos Valle na segunda edição. No dia 22, Marcelo D2 fecha a festa com chave de ouro. Terça-feira também tem night forte na casa do Humaitá.
Há mais de um mês Toni Garrido, Sandra de Sá e Zé Ricardo promovem juntos, às terças-feiras, a noite de Música preta brasileira . Eles embalam o público com o repertório dos discos Racionais I e Racionais II, de Tim Maia. Mas o melhor do Ballroom vem agora. No dia 13, uma segunda-feira, a Orquestra Imperial está de volta para matar a saudade do público. Esta big-band de 14 integrantes, entre eles Moreno Veloso, Seu Jorge e Rodrigo Amarante (do Los Hermanos) refaz os bailes de antigamente e interpretam raridades da MPB.
A partir do sábado 18 o Teatro Rival também será ponto de encontro da nova geração de artistas brasileiros. Tudo vai rolar durante o Baile do Rivaldo, projeto idealizado pela produtora 3meninas (de Fernanda Boechat, Leandra Leal e Lívia Falcão). O baile promove uma viagem pelo território nacional através de novas produções cinematográficas e musicais. Dois telões passarão curtas, documentários, reportagens e imagens de bastidores de shows.
Além disso, Lucas Santtana e Plínio Profeta vão pôr nas caixas de som do Rival o que de mais novo está sendo produzido Brasil afora, contando ainda com a utilização de computadores, samplers, picapes, cavaquinhos e guitarras. ''É um formato novo de festa. Começa com exibição de filmes e depois rola o som, que é uma pesquisa de vários ritmos tocados pelo Brasil, com performance ao vivo e até citações, como a narração do milésimo gol de Pelé'', diz Lívia.
A nova tendência de temporadas musicais com atração fixa também chegou ao Hard Rock Café. Em todas as sextas do mês de janeiro a casa apresentará o show Lounge & world music, com o DJ Mam, o percussionista David Villefort e o saxofonista Rodrigo Shá. Eles finalizaram recentemente o CD Brazilian lounge, lançado durante a Fashion Rio como trilha sonora oficial do evento. No repertório, faixas eletrônicas pontuadas com ritmos domésticos e diálogos dos próprios músicos.
RIO DE VERDADE NAS QUINTAS DE JANEIRO-Pontal da Marina, Av. Infante Dom Henrique, s/nº, Glória. Toda 5ª, às 22h. R$ 25 (com filipeta, R$ 20).
HUMAITÁ PRA PEIXE-Espaço Cultural Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Humaitá (2266-0896). 3ª e 4ª, a partir das 19h. Duas atrações por noite. R$ 15.
BALLROOM-Rua Humaitá, 110, Humaitá (2537-7600). 3ª (Música preta brasileira), às 22h30. R$ 15. 4ª (Bossa Cuca Nova), às 22h30. R$ 15. 5ª (Nicolas Krassik & convidados ou Estação Balanço). R$ 15, a partir das 22h. A Orquestra Imperial retorna dia 13 (2ª). R$ 15.
TEATRO RIVAL-Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia (2240-4469). Sáb. (dia 18), a partir da meia-noite. R$ 15.
HARD ROCK CAFÉ-Shopping Città América, Av. das Américas, 700, 3º andar, Barra da Tijuca. 6ª, a partir das 23h. Entrada a R$ 30 (mulher, com R$ 20 de bônus no bar) e R$ 40 (homem, com R$ 30 de bônus no bar).