Aderbal Duarte, violonista, professor de música da Universidade Federal da Bahia e pesquisador da obra de João Gilberto há 20 anos:
''É difícil explicar o que é a arte de João. Sua obra apresenta aspectos diversos que enriquecem a música popular brasileira. Não é apenas sua interpretação vocal que impressiona, mas também a nova estética que ele emprestou ao instrumento, a riqueza harmônica, o novo discurso musical. João tem uma percepção aguçada em relação às notas, sabe as que devem ser ressaltadas, dá vida ao acorde valorizando seus pontos principais. Ensinou que, em se tratando de harmonia, nenhum acorde pode ser pensado isoladamente. João Gilberto também sabe sempre se renovar. Em cada música que toca apresenta novos sons, novas soluções, sempre fenomenais. Ele constrói o som.''
Paulo Bellinati, violonista:
''Existem alguns poucos personagens na história de nossa civilização que a transformam radicalmente, e, ainda que tal feito seja mais expressivo apenas com relação a alguns aspectos, a sua força é de tal ordem de grandeza que nada segue sendo a mesma coisa depois disto. São indivíduos geniais que através da sua arte apontam caminhos revolucionários, presenteando a humanidade com sua obra magistral.
João Gilberto é um desses gênios na história da música universal. Sua voz e seu violão perfeitos influenciaram desde seus contemporâneos até as gerações atuais, e com certeza influenciarão todas as vindouras. Sua obsessão pela precisão rítmica, afinação e sonoridade transforma sua obra em referência para os músicos do mundo inteiro. Assim como não se pode imaginar existir a pintura moderna sem Picasso, o mesmo vale dizer para a música brasileira sem João Gilberto.
Venho lecionando há mais de 30 anos e o estudo da obra de João Gilberto é sempre incluído em meu programa de ensino. Todos os meus alunos de música brasileira aprendem com o legado de João. Cada canção contém sutilezas infinitas e o aprendizado é sempre rico e fascinante. Em sua performance intimista e delicada, estão escondidos os segredos da batida do violão, da voz e da interpretação brasileira.''
José Paulo Becker, violonista:
''Devemos destacar a importância de João Gilberto na divulgação da música brasileira pelo mundo. A independência do seu canto com a levada (batida) da mão direita e as suas rearmonizações misturam a malícia do samba com o lado cool do soft jazz americano. Suas gravações são referência obrigatória para quem quiser estudar violão de acompanhamento''.
Samuel Araújo,professor de Etnomusicologia da Escola de Musica da UFRJ:
''Um dos aspectos mais originais da obra de João Gilberto é, sem dúvida, o rítmico. Fala-se muito na relação temporal entre a voz e o violão, mas creio que mais importante ainda é a transformação em estilo pessoal do cruzamento de ritmos variados, típico da música brasileira de origem africana. Nesta polirritmia original de João Gilberto reside uma das marcas inconfundíveis da bossa nova''.
Hermeto Pascoal, músico:
''João Gilberto é intocável. Criou uma idéia profunda sobre música aproveitando todas suas possibilidades. Toca um violão simples e ao mesmo tempo sofisticado. João também é um cantor muito afinado e instrumentista de estilo único. Muitas pessoas querem tocar parecido com ele e tentam, mas o som fica sempre apenas parecido. Quando desenho mentalmente João, o vejo tocando dentro de uma grande caixa de fósforos, isso para lembrar que na sua música está o samba, o folclore, o jazz, o erudito. João é a síntese do violão brasileiro. É um pouco nervozinho, é verdade, mas a gente tem mais é que agüentar, pois isso é coisa mesmo de gênio''.