Será a Benedita?
Foi a pergunta que eu me fiz encantado, sobrevoando o Estado do Rio se descortinando entre as nuvens, numa Guanabara, Niterói e Cidade maravilhosa. E ainda me faço às vezes, no silêncio da noite, como se eu fosse não essa onça parda, sussuarana. Mas um Caetano ecológico, cantando aquela canção do Peninha:
‘‘Eu fico imaginando os dois, o Rio e a Benedita. Fico ali sonhando apertado por ambos. Por essa maravilha de Deus, que se degradou tanto. E pela esperança, em exatos noves meses, que é o tempo que a natureza leva para programar a vida humana, que a nova governadora tem pela frente.
Juntando o antes. Um Estado, uma cidade, uma baía e um povo ambientalmente abandonados. E o depois, que tudo pode mudar. Não mudaram Paris e o Sena? Londres e o Tâmisa? Jaime Lerner e Curitiba?
Por que o seu governo, Benedita, o seu secretário de Meio Ambiente e o seu PT deixam o cidadão fluminense e carioca tão soltos na questão ecológica? Por que você não cola total na causa da recuperação ambiental da Baía da Guanabara? Olhe que ainda não houve um governador, um prefeito, um político, enfim, que se preze e tenha resolvido revolucionar a história eco-política, parece sina, do Rio de Janeiro.
Estamos nos sentindo muito sozinhos, Benedita.
Não somos nem queremos ser o seu dono. É que uma governadora revoltosa com a poluição - com a sujeira, a falta de flor, de ETEs de verdade e esperança de um Estado abençoado pela natureza como o Rio - às vezes cai bem.
Nós temos os nossos desejos e planos. Secretos. Só abrimos pra você, mais ninguém. Por que você esquece e some nesse desafio que é recuperar a Baía, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o que sobrou de Mata AtLântica na Pedra de Guaratiba?
Quando a gente gosta, é claro, que a gente cuida. Fala que ama o Rio, Benedita! Que ama a quantidade de dinheiro que existe a fundo perdido, nos cofres do Banco Mundial, do Pnuma, de tantas organizações internacionais. e nunca a Guanabara teve um projeto político com visão e tesão pra buscar, que corra de verdade e com contrapartida atrás. Só governantes e secretários da boca pra fora.
É isso, Benedita. Ou você ama o que está aos pés do Redentor, na orla da baía ou no coração da lagoa,ou não está madura. Será apenas mais uma. Ciscando aqui e ali, querendo fazer tudo ao mesmo tempo, e não fazendo nada, não deixando marca alguma, por falta de foco.
Depois da queda do muro de Berlim e de todas as ideologias que não se sustentaram, existe bandeira maior, mais necessária, emergente, apartidadária e humanamente futurista que o meio ambiente? A bandeira do economicamente sustentável, ecologicamente correto e socialmente justo que Deus lhe o poder político e temporário de empunhar?
Onde estará você quando o supersônico da história já estiver passado arreado na porta do Palácio Guanabara?
Onde está você agora?