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111 anos de uma batalha infinita

Oriente Médio na tradição da intolerância

ARTHUR ITUASSU

O secretário de Estado americano, Colin Powell, chega esta semana ao Oriente Médio para tentar acalmar israelenses e palestinos e estabelecer um cessar fogo. Deveria desembarcar em Jerusalém com um livro de história debaixo do braço. Algo sobre como não negociar com eles. A literatura é farta; é só procurar pela intervenção britânica na região, durante e depois da Primeira Guerra Mundial. As ações de Londres puseram fim a um período de pelo menos 50 anos de relativa calma e desenvolvimento na palestina, algo que em 1891 estava apenas começando.

Naquela época, a região ainda era colônia do decadente Império Turco-Otomano, que reinou sobre posses na Europa, Ásia e África, de 1516 até a Grande Guerra (1914-1918). Apesar do declínio de Istambul, a palestina vivia um processo de transformações intensas, desde 1860. Os últimos 40 anos do século 19 foram marcados pela chegada de monásticos russos e franceses, de colonos germânicos e, em especial, de judeus, que, seguindo a influência sionista, fugiam do crescente anti-semitismo na Europa.

Os judeus começaram a chegar a partir da segunda metade dos anos 1880. Em 1896, foi publicado o livro O Estado Judeu, do jornalista vienense Theodor Herzl; um ano antes do primeiro congresso sionista, realizado na Basiléia, Suíça. Preocupados com os massacres na Rússia e influenciados pela condenação injusta do militar francês Alfred Dreyfus, o sionismo crescia como movimento. Se durante algum tempo, não havia um consenso sobre para onde ir, em 1914 já havia 85 mil judeus na palestina, 12% da população total.

O resultado da mistura de árabes, judeus e alguns poucos europeus - que se espalhavam seguindo a doutrina imperialista da época - foi a prosperidade. A colonização judaica, a filantropia estrangeira, a intensificação do comércio - em especial com a Europa - e até o turismo transformaram o cenário de desolação encontrado por Mark Twain, em 1867. ''É uma terra sem esperança'', escrevera o autor americano sobre a palestina.

É certo que a desconfiança e o nacionalismo cresciam entre os árabes, que suspeitavam do avanço judaico. Afinal, o sionismo previa a criação de um Estado. Mesmo assim, a rivalidade anterior não chegava perto daquela após o início das negociações dos dois lados com os britânicos. Numa série de acordos secretos, Londres se comprometeu tanto com os árabes quanto com os sionistas, apoiando as pretensões dos dois lados.

Mas isso até 1917, quando o Lorde Balfour, declarou: ''A Coroa encara favoravelmente o estabelecimento na palestina de um lar nacional para o povo judeu'', e deixou clara a preferência. A teoria sobre os conflitos políticos internacionais é clara: o desequilíbrio tende a gerar a violência.

[07/ABR/2002]

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