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Rio abriga encontro de cidades digitais
Objetivo é trocar experiência entre países
Um encontro ibero-americano reuniu, semana passada, no Rio de Janeiro, representantes de governos e empresas para trocar experiências e estimular a criação de cidades digitais. O conceito ainda é incipiente no Brasil, mas já ajudou países como o Canadá a se conectarem.
Este ano, o encontro promoveu a entrega da 2º edição do Prêmio de Cidades Digitais Latino-americanas, seleção que, no ano passado, destacou o trabalho realizado em Piraí, no estado do Rio de Janeiro. Desta vez, os premiados foram Mendonza (Argentina), na categoria Cidade Grande, Mérida (México), em Cidade Média, e Miraflores (Peru), em Cidade Pequena. O Brasil concorreu com a cidade paulista Sudmenucci.
Dois prêmios especiais foram entregues a Quito (Equador), na categoria E-integração, e à Associação Regional de Municipalidades da II Região do Chile, no quesito E-cooperação Regional.
O conceito de cidade digital inclui a conexão à internet aos cidadãos através de pontos de acesso públicos, o fluxo de informação claro dos trâmites da administração pública através das tecnologias digitais e a informatização de serviços públicos como hospitais e escolas.
- Os indicadores devem ser mais do que tecnológicos. Se não forem acompanhados de educação, crescimento econômico, emprego e saúde se tornam fictícios - afirma o secretário chefe de Gabinete do Governo do Estado, Fernando Peregrino.
No Estado do Rio, Piraí se destaca como exemplo de cidade digital. As próximas apostas são Mangaratiba e Rio das Flores, que estão em fase inicial e devem compor um corredor digital no Médio Paraíba, junto com outros cinco municípios. O projeto é parte da Infovia, que conta com uma rede de transmissão de dados a 1 Gbit/s.
De acordo com o presidente da Associação Hispanoamericana de Centros de Investigação de Empresas de Telecomunicações (Ahciet), Luis Di Benedetto, existem 4 mil municípios na América Latina em vias de implementar projetos semelhantes.
O encontro é relevante por não haver ainda estudos que definam padrões e parâmetros. Inexiste, por exemplo, um critério de proporção entre pontos de acesso e número de habitantes.
Em 1998, o Canadá adotou o conceito como estratégia para tornar-se um país digital. Em 1998, uma seleção destinou financiamento para 12 projetos.
- A idéia era uma cidade digital por província, criando comunidades mentoras - explica a diretora geral de Tecnologias da Informação e de Comunicações do Canadá, Kim Hendi.
Na ocasião, o Canadá já tinha informatizado escolas, bibliotecas e áreas de saúde. Mesmo assim, a premiação teve mais de 400 cidades inscritas.
- Quando o programa começou no Canadá, a realidade era semelhante à da América Latina. Hoje, comunidades em áreas remotas têm banda larga, videoconferência, VoIP e e-gov. Mais de 80% da população está conectada - conta. - Começamos o programa com pouco dinheiro. Os recursos já existem no sistema, só precisam ser redirecionados.
[05/DEZ/2005]
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