Atualizar a rotina no fotolog, participar de fóruns, testar o Gmail e colecionar amigos no Orkut - algumas das exigências para quem deseja se tornar uma cibercelebridade
Daqui a três dias, o usuário
Thetenniskid pode ser o mais novo proprietário de uma conta do Gmail. Por US$ 10 (R$ 30), ele tenta comprar no Ebay o direito de usar o webmail do Google - ainda em fase de testes e pouco confiável -- mas símbolo de status na Rede. Como ele, muitos internautas perseguem serviços e situações que os classifiquem como cibercelebridades.
- Com Andy Warhol, o conceito de fama desvinculado da elaboração de uma obra de arte ou feito se desfez. Hoje, ser famoso é desejo de quase todos, e a internet possibilita isso - explica o antropólogo e professor da PUC Rio, Everardo Rocha, 52 anos.
Com a internet, os usuários têm o poder de construir a própria mídia. Nesse espaço, os cidadãos escolhem o que apresentar ao público e o que tornar privado.
- Os internautas vivem sob a ''tirania do upgrade'', uma expressão da professora Paula Sibilia. Todos que não se atualizam estão fora do grupo, se sentem excluídos - analisa o coordenador da pesquisa de Novas Tecnologias da UERJ, Erick Felinto, 35 anos.
Mas, segundo Fernanda Bruno, coordenadora do Grupo de Pesquisa CiberIdea e professora do Instituto de Psicologia da UFRJ, a velocidade da Rede cria e destrói as fábricas de celebridade na mesma rapidez.
- A velocidade da internet é impressionante e vem acompanhada pelo culto do novo. Mesmo os blogs, tão recentes, já estão em crise.
Manter-se célebre entre milhões de páginas e usuários não é fácil. O segredo, contam os internautas ''populares'', é estar em dia com as últimas novidades. Para tal é preciso, no mínimo, ter um flog, participar do Orkut e desejar um Gmail.
Rafael Medina, técnico em informática, 22 anos, se encaixa no perfil. Apaixonado por fotografia, é dono de um flog de sucesso e conta que ''sempre é reconhecido na noite'' através do Tech_neo.
- Hoje, ter um flog não é sinônimo de status, todo mundo tem. Brinco que, se uma pessoa não tem um, não existe para mim - opina Medina.
A publicitária Sarah Oliveira, 21 anos, não se considera uma celebridade, mas coleciona 132 amigos na rede social do Orkut, faz parte de 30 comunidades e mantém um fotolog ativo.
- É como um albúm de figurinhas. Você coleciona amigos e forma comunidades - brinca Sarah.
- O Orkut é o espaço ideal para fazer amizades e se informar. Muitas vezes, me surpreendo com os assuntos que descubro - afirma o publicitário Bruno Alves, 21 anos, que contabiliza 63 amigos, incluindo 17 ''fãs'', em sua rede pessoal.
O Orkut permite identificar se um amigo é bacana, confiável e sedutor, pontuando seu perfil. É possível elevar os mais queridos ao nível de ''ídolo'', declarando-se seu fã. As categorias são anônimas, com exceção da última.
Muitos usuários do Orkut afirmam que a coleção dos elogios é uma competição evidente, mas Sarah discorda:
- Não acho que o ranking seja narcísico, mas apenas uma forma de facilitar a navegação.
Criado em 2003, o Helenbar é um dos flogs mais visitados e representa a história de Alice no país das maravilhas em fotos artísticas. A designer Helena de Barros, 31 anos, conta que se inspirou numa lenda dos álbuns virtuais - o Sinistra. Frequentadora de encontros de ''fotologueiros'', ela afirma que não esperava o sucesso repentino, mas não esconde que gosta da fama.
- Adoro ser reconhecida na rua e encaro como o resultado de um trabalho. Mas a maior parte dos flogs brasileiros são feitos para conhecer pessoas - opina a designer.