Linguagem de programação criada na PUC-Rio é usada em ônibus espacial, processador, UTI e na criação do melhor da diversão eletrônica
No começo do mês, o caderno Internet apresentou a análise de Far cry, considerado o jogo mais revolucionário dos últimos anos. O que poucos sabem é que, em volta do seu mérito orbita Lua, linguagem de script brasileira. Ela é usada no game e em outros sucessos do entretenimento eletrônico, além de estar presente em celulares, espaçonaves e no desenvolvimento de processadores.
Lua, atualmente na versão 5.0.2, foi criada em 1993 pelos professores Roberto Ierusalimschy, Waldemar Celes e Luiz Henrique de Figueiredo no laboratório de computação gráfica da PUC-Rio, Tecgraf. A manutenção do software continua sob responsabilidade da equipe.
– Como o nome indica, Lua é um satélite de linguagens mais pesadas, como C e C++. Ela pode ser comparada com o texto de um roteiro de cinema, novela, filme. O programador de Lua determina ações para o que foi criado antes – conta Ierusalimschy, PhD em Ciência da Computação.
Ele, Celes e de Figueiredo centralizam o desenvolvimento do software. Lua é regida pela licença MIT, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Ela permite alterações do código-fonte em outras versões da linguagem, sem a necessidade da sua abertura. A única condição para o seu uso é a menção do copyright – dos três criadores e da PUC-Rio.
– A licença dá liberdade às empresas para lançar qualquer programa que use Lua sem mostrar o código ou aplicá-la em projetos internos – explica Ierusalimschy.
A linguagem foi adotada pela indústria de games. Em Far cry, ela é usada para configurar o uso de armas, gráficos e sons durante o jogo, além do comportamento da excepcional inteligência artificial dos adversários. Mas foi com Grim fandango, lançado em 1998, que Lua se popularizou.
– No mesmo ano, o programador de Lua da Lucas Arts, que desenvolveu o jogo, divulgou as suas vantagens durante a Game Developers Conference, encontro anual e o maior dos profissionais do entretenimento eletrônico.
Além da menção do uso da linguagem, a empresa imortalizou o software da PUC em um dos títulos de maior sucesso. Em Escape from monkey island, lançado em 2000, o personagem principal, e o jogador, visitam o Lua Bar como parte do enredo da aventura.
Mas foi no GDG 2004 que a popularidade de Lua se afirmou. Jon Burns e David Eichorn, da Microsoft Game Studios, promoveram a mesa-redonda “Lua na indústria dos games”, sem o conhecimento do trio de criadores da universidade carioca.
– Foi uma ótima surpresa e mostrou que o software já caminha sozinho – celebra Ierusalimschy.
A Microsoft é uma das grandes usuárias de Lua, mas a lista continua. Além da empresa de Bill Gates, a Rockstar Games (Grand theft auto), BioWare (Baldur's gate) e People Can Fly (do recente Painkiller) também adotaram a linguagem em seus projetos, seja para PC, XBox ou Playstation 2.