E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Internet

Colunistas
 

Proteção contra o grande irmão


Vivian Rangel

Especial para o JB

Com o lançamento dos chips RFID, o temor de ter sua privacidade invadida e viver numa realidade anunciada pelo filme Minority report fizeram com que empresas de segurança começassem a trabalhar. O primeiro resultado concreto foi anunciado pela RSA Security, na última terça-feira. Ela mostrou uma nova tecnologia para proteger o usuário das informações emitidas pelos chips.

Durante a conferência da empresa, em São Francisco, a RSA distribuiu seu antídoto - bloqueadores de RFID. O novo chip, muito semelhante a um RFID comum, emite ondas de rádio que confundem as unidades leitoras e impedem seu funcionamento. Em entrevista ao Caderno Internet, o cientista-chefe do laboratórios do RSA , Ari Juels explica o funcionamento do bloqueador e tranqüiliza os que temem a realidade vigilante do ''big brother'' de Orson Wells.

Como funciona o escudo RFID?

– O bloqueador funciona apenas com produtos que foram pagos. Na prática, ele envia um spam de informações para o leitor, com todas as bilhões de combinações possíveis de etiquetas. O escudo é “educado”, e o leitor saberá que ele está sendo utilizado.

O que motivou a RSA a desenvolver o bloqueador?

– A imprensa tem noticiado o interesse do Banco Central Europeu em incluir etiquetas RFID nas notas de Euro. Por isso, começamos a investigar as possíveis invasões de privacidade. Hoje, o RFID é estudado para um uso muito mais amplo.

O uso da tecnologia ainda está no começo. Quando você acha que o escudo se tornará necessário para uso rotineiro?

– As primeiras aplicações da RFID serão nas cadeias de distribuição, e as etiquetas não chegarão às mãos dos cidadãos. Acredito que ainda levará alguns anos até que a RFID substitua o código de barras em todos os produtos. Nesse momento, o bloqueador se tornará um produto valioso para ter no bolso. A tecnologia, no entanto, já está sendo desenvolvida para alguns tipos de pagamentos, e deverá chegar primeiro ao mercado consumidor na nova geração de cartões de crédito com conexão sem fio.

Qual será o público-alvo do produto e como ele poderá ser apresentado?

– Espero que ele seja vendido nas lojas em geral, principalmente nas que decidam manter as etiquetas RFID ligadas mesmo quando o produto sair do comércio, para avaliação do uso doméstico ou retorno da mercadoria, por exemplo. Como os bloqueadores serão muito baratos, poderão ser anexados às sacolas de compras, chaveiros e disponibilizados como dispositivos independentes.

Há uma previsão de quanto ele custará?

Ele será muito parecido com um chip RFID comum, em tamanho e custo. Projeções otimistas apresentam que o preço das etiquetas cairá para US$ 0,05 (R$ 0,15) em poucos anos.

Será possível usar o escudo para bloquear em massa as etiquetas?

A tecnologia RFID já nasceu com um problema semelhante ao da internet: os ataques de Negação de Serviço (DoS – Denial of Service). Eles usam vários computadores conectados para inundar um site com requisições de acesso, derrubando-os da Rede. No caso da RFID, a ameaça existe com ou sem os bloqueadores. Eles, no entanto, não podem ser usados para ataques DoS, já que são desenhados apenas para prevenir a leitura de produtos já comprados. O fato de alguém criar um mecanismo para prejudicar a leitura de todas as etiquetas não pode ser um impasse para os escudos legítimos. E acredito que os dispositivos maléficos serão facilmente identificados.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[01/MAR/2004]


   Home > Internet

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas