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Caça ao spam

Empresas defendem marketing por e-mail sem abusos

Bruno Lopes

Se você acha que os e-mails comerciais indesejados, conhecidos como spam, são apenas um incômodo, deve saber que eles estão perto de fazer sua primeira vítima: as empresas sérias que usam o e-mail para fazer propaganda. Para evitar sua morte, elas anunciaram um código de ética, elaborado junto com provedores de acesso e representantes do mercado de comércio eletrônico, tentando se diferenciar dos que praticam o spam. O convênio foi feito uma semana depois que uma pesquisa americana mostrou que muitos internautas, por causa do spam, passaram a usar e confiar menos no e-mail e na Rede.

O código de ética acordado na semana passada foi elaborado por sete entidades representando empresas de marketing, anunciantes e provedores de acesso. O documento estabelece como o marketing por e-mail deve ser feito, e será fiscalizado por um comitê composto por representantes das associações, que até dezembro pretende ter um website em que divulgará uma lista de todas as entidades que o respeitam.

- Consideramos que esse é o primeiro passo para separar quem faz spam de quem faz marketing por e-mail, sem abusar dele. O correio eletrônico é uma ferramenta de propaganda eficiente e barata, mas muitas empresas perdem negócios porque os anunciantes evitam qualquer tipo de propaganda via e-mail por receio de cair na vala comum do spam - revela o presidente da Associação de Mídia Interativa, Marcelo Sant'Iago.

O baixo custo do correio eletrônico é uma das causas do crescimento do spam. Os anunciantes que não se importam com sua imagem pública disparam milhares de anúncios de pornografias ou de remédios para impotência, sabendo que mesmo se apenas 10 pessoas responderem eles terão retorno financeiro. A atividade sobrecarrega os provedores de acesso e equipes de tecnologia, que têm que se desdobrar para filtrar o spam e comprar mais computadores para lidar com tal volume de informação. Os usuários, por sua vez, perdem tempo apagando as mensagens não solicitadas.

O código de ética pretende estabelecer exatamente como o e-mail de um internauta pode ser recolhido e redistribuído, e como as companhias que utilizam o marketing por e-mail devem fazer para honrar pedidos de descadastramento. Tal atividade não acabará com o spam, mas pode diferenciar empresas sérias, mas que até agora se orientavam apenas por políticas internas, dos que abusam do spam, abrindo espaço para a criação de uma lei.

O programador americano Paul Graham, cujas orientações inspiraram a criação dos filtros bayesianos, que aprendem a distinguir o spam de acordo com a correspondência do internauta (e são a maior arma contra o spam), acha que a sua adoção em larga escala pode apressar o fim das empresas que fazem marketing por e-mail - mas que isso pode ajudar a acabar definitivamente com o mal dos e-mails não solicitados.

- É difícil passar leis antispam até agora porque existe uma gradação de spammers, indo de empresas que compram e-mails de sites com políticas inescrupulosas, a vermes como Alan Ralsky, que usa e-mails retirados de páginas web e salas de discussão. Os primeiros fazem lobby por brechas jurídicas que são aproveitadas pelos outros.

Segundo ele, a popularização dos filtros pode levar as falências as empresas do ''opt-in'' - mas deixaria claro onde o marketing termina e o crime começa.

- Se gigantes como Yahoo, MSN, Hotmail e AOL adotarem filtros bayesianos, em um ano o spam deixa de ser um problema - diz Graham, em entrevista por e-mail ao JB.


[03/NOV/2003]


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