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Cinco Perguntas para Edward Castronova

Edward Castronova / Foto de Divulgação

- Algumas empresas, como a Sony, tentam bloquear a venda dos itens dos jogos em dólares. Qual a sua opinião sobre o assunto?

- Como economista, sei que é impossível impedir o comércio. É uma luta contra o mercado que nenhum governo ganhou. Como jogador, no entanto, gostaria que vencessem. Acho que o comércio externo de bens traz problemas para a atmosfera fantástica de um jogo. A resposta seria a criação de ferramentas para que a troca fosse feita dentro do game, encaixando-a na aventura.

- O Star wars galaxies pode transformar as economias virtuais, já que não usa a intervenção de personagens criados pelo computador (NPCs) ou da administração?

- Sim. O SWG trouxe algumas mudanças que deverão ser adotadas pelos desenvolvedores no futuro. Por exemplo, o jogo tem um sistema de leilão interno que reduz o estímulo de ir ao eBay para comercializar. Quanto a falta de NPCs, não sei se é tão bom assim, já que eles podem ser usados para regular o mercado.

- As economias dos RPGs multiplayer evoluirão até aplicações mais 'sérias'. Estamos vendo o começo de uma versão mais radical de e-commerce?

- Sim. Já existem pessoas as usando mais 'seriamente', fazendo muito dinheiro com comércio no jogo. Outro uso que deve ser observado com cuidado é o de organizações criminosas, por exemplo, que poderiam adotar esses mundos para a transmissão de comandos e relatórios.

- Os mundos virtuais e a mídia digital podem estar mudando a noção de que nossas posses são as coisas que conseguimos pegar? Possuiremos, no futuro, mais bens 'virtuais' do que 'reais'?

- Pegue um ou dois reais no seu bolso. Você está segurando um bem virtual, que só tem valor porque dizemos ter. A maior parte da nossa economia já é feita com bens virtuais. Talvez esses jogos nos ensinem que o valor material é efêmero, subjetivo e socialmente construído - sempre foi assim. Fico assombrado como alguns economistas ainda não entenderam isso.

- Podemos imaginar um futuro em que um desses mundos virtuais serão considerados nações? Na Coréia do Sul, por exemplo, o jogo Lineage já tem milhares, talvez milhões de usuários. É possível que um desses jogos seja separado do Estado?

- É bem possível. O que aconteceria se um desses mundos operasse numa rede peer-to-peer? Quem estaria em controle? Qual governo na Terra poderia regulá-lo? Nenhum.


[01/SET/2003]


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