Teste exclusivo mostra como o jogo mais esperado do ano revoluciona parceria entre a indústria dos games e Hollywood
A indústria do entretenimento eletrônico passa por uma revolução, capitaneada por
Enter the matrix. O jogo, baseado nos filmes dos irmãos Wachowski, é um dos vértices do triângulo cultural que, pela primeira vez junta cinema, games e internet numa sinergia perfeita.
Com mais acertos do que falhas, o jogo aponta a estrutura de produção que poderá dominar a indústria de games a partir de agora. Enter the matrix tem uma hora de vídeo filmado nas gravações da segunda película da trilogia, Matrix reloaded, a ser lançada no Brasil junto com o jogo, na sexta-feira. Ao mesmo tempo em que estudaram as seqüências para o cinema, os atores gravaram cenas para o PC, apresentadas no formato DivX.
O game foi desenvolvido sob um roteiro dos Wachowski, que narra, no mesmo tempo do filme, as aventuras de dois coadjuvantes - Niobe e Ghost - controláveis pelo jogador. As duas histórias se cruzam em momentos chave e só são completamente entendidas ao assistir ao filme e terminar o jogo.
As seqüências de luta trazem a assinatura de Yuen Wo Ping, o coreógrafo do espetáculo visual de O tigre e o dragão e de As panteras. Os atores passaram seis meses filmando 4 mil cenas no processo motion capture, para garantir a fidelidade dos movimentos.
Até Enter the matrix, esta interação entre cinema e jogos era inédita. O exemplo mais próximo é Lord of the rings, baseado nos filmes de Peter Jackson e que traz cenas soldadas aos níveis do jogo. Mas não se aventura além disso.
- O mito do 'cinema interativo' persegue a indústria dos jogos há anos, mas é um conceito falido - diz o professor Gonzalo Frasca, especialista em Teoria de Jogos e editor dos sites Ludology.org e GameStudies.org, o primeiro site sobre o estudo do tema.
- Filmes e jogos são meios diferentes. O cinema é calcado em narrativa e os games, em simulação.
Para quem gosta de jogar os personagens dos filmes preferidos o histórico não é dos melhores. As adaptações para os games normalmente são pobres - exemplos são Indiana Jones, Aliens, Star Wars e o recente X-Men 2, que rendeu um jogo mediano.
Com Enter the matrix, a palavra 'adaptação' está fora de lugar. O game se propõe a complementar os últimos filmes da trilogia e a série de animação The animatrix, que em nove curtas mostra a origem da matriz e a revolta das máquinas contra os homens. Os quatro primeiros episódios foram disponibilizados na internet, e um quinto, nos cinemas. Com Animatrix é possível saber, por exemplo, como os humanos 'queimaram' o céu, para evitar que as máquinas usassem a energia solar. Todos os curtas estarão num DVD, em junho.
- Espero que Enter the Matrix seja um sucesso e eleve parceria entre Hollywood e a indústria do entretenimento eletrônico - completa Frasca.