Internet chegará a Marte antes da primeira viagem tripulada, que deve acontecer entre 2020 e 2030
A internet interplanetária será totalmente baseada no software livre, considerado inseguro pelas empresas de software proprietário. Para essa questão, Cerf tem uma resposta breve, e definitiva. ''No software livre suas fraquezas são expostas rapidamente, e isso é muito bom''.
O desafio da IPN está lançado e será testado em 2003 quando a Nasa, agência espacial norte-americana, lançará sua próxima missão a Marte. Ela será composta de dois rovers, robôs móveis de uma geração superior ao Sujourner, da missão Pathfinder, lançada em 1997.
''O motor da internet interplanetária é a conquista de Marte'', explica Bergamini, que representa o Brasil, através do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no CCSDS, comitê internacional de agências espaciais que objetiva a padronização do sistema de comunicação no espaço. De acordo com o cronograma da Nasa, uma missão tripulada para Marte acontecerá entre 2020 e 2030 e a IPN terá papel fundamental no seu sucesso.
Ela deverá ser dividida em duas etapas: a primeira levará grande parte dos suprimentos e a segunda será tripulada. Contando a ida e a volta, a missão para Marte durará 900 dias, ou quase três anos. A IPN servirá para a comunicação técnica dos astronautas, com relatos das experiências e do estado dos aparelhos e da missão.
Menos importante para o desenvolvimento científico da humanidade mas fundamental para a empreitada é a manutenção da moral a bordo da espaçonave e em solo marciano. A internet interplanetária serviria para a troca de mensagens entre os familiares, estudantes e a tripulação e para o envio de games, notícias e todo o tipo de informação que os mantenha conectados à Terra.
Para a IPN se tornar uma realidade, será necessária uma constelação de satélites, orbitando a Terra, Marte, Lua e outros astros, funcionando como nós da internet espacial. Uma sonda na órbita de Marte, por exemplo, fica sem comunicação com a Terra quando é encoberta por algum astro. A linha de visão entre o aparelho e o nosso planeta é eclipsada, e a transmissão de dados é interrompida. Os satélites rebateriam a informação, permitindo a comunicação dos astronautas e da aparelhagem de qualquer lugar do planeta vermelho.
Com uma taxa de latência mínima entre o solo e o satélite, poderemos ter uma transmissão direta de dados entre Marte e a Terra, mesmo que com os 20 ou 30 minutos de diferença entre o tempo real e a informação recebida. Está aberto o caminho para explorações científicas mais complexas. ''Espero que um dia ela possa estar disponível para o público em geral, mas desde o começo poderemos ter acesso limitado a estudantes'', vislumbra Cerf. As aplicações comerciais podem dar o impulso decisivo ao desenvolvimento da IPN. Poderemos no futuro ter uma TV Marte, com transmissão em boa qualidade, 24 horas por dia.
www.ipnsig.org
www.ccsds.org
mars.jpl.nasa.gov/index.html