Internet levada ao espaço sideral

Protocolo semelhante ao TCP/IP padronizará a comunicação espacial

Marcelo Nóbrega

Repórter do JB Online

A frase já foi ouvida e lida em todos os lugares: ''a Rede não tem fronteiras''. No caso da internet interplanetária (IPN), a afirmação rompe todas as barreiras ao levar a conexão para fora do planeta. Nomes de peso da ciência e da tecnologia estão empenhados em tornar o projeto realidade, em pouco tempo.

Em alguns anos, já será possível mandar um e-mail para um endereço eletrônico .mars, ou .orbit. A iniciativa é capitaneada por ninguém menos que Vinton Cerf, vice-presidente de Arquitetura e Tecnologia da Worldcom e co-fundador do protocolo TCP/IP, que rege todas as comunicações na internet. Em poucas palavras, o pai da internet.

''Vamos adaptar a Rede à realidade espacial'', diz o cientista Eduardo Whitaker Bergamini, especialista em sistemas espaciais de dados e que participa, desde 1982, num projeto para padronizar a comunicação entre a Terra e os aparelhos lançados pelo Homem ao espaço. Ele e os outros envolvidos na internet interplanetária, aspiram a uma realidade em que a troca de dados entre a Rede mundial possa ser transparente com sua parente espacial.

Os problemas não são poucos. A realidade astral é completamente diferente da experimentada pela comunicação terrestre. ''A resposta de uma mensagem enviada para uma sonda em órbita de Marte pode levar até 40 minutos para chegar'', explica Bergamini.

Além da distância, os fenômenos espaciais influenciam muito nas transmissões via ondas de rádio, praticadas hoje e previstas para serem usadas também na internet interplanetária. ''A radiação cósmica, o vento e as explosões solares e nossa atmosfera interferem na comunicação'', diz Bergamini, ''a ponto de ela chega ao nível de 1 bit de dados para 1 bit de ruído''.

Uma das técnicas usadas para garantir a transmissão efetiva da informação é mandá-la com redundância - a repetição voluntária dos dados. ''A IPN usará por muito tempo as ondas de rádio, embora seja independente do meio de transmissão'', conta Vinton Cerf, em entrevista por e-mail ao JB. Para a IPN, será usada a técnica do blundling, mandando grandes pacotes de dados para garantir sua chegada.

Outro problema inerente a qualquer rede, e fundamental a uma que custe alguns bilhões de dólares é a segurança. Como manter a confiabilidade desejada na IPN, estando conectada à internet terrestre e fazendo parte do grupo das redes que usam ondas de rádio para se comunicar - como as Wi-Fi locais, consideradas inseguras? ''O problema com as redes por rádio pode ser resolvido com camadas e mecanismos mais complexos de segurança. Acredite, a Wi-Fi pode ser confiável'', afirma Cerf, referindo-se ao protocolo usado nas redes sem fio 'terrestres'.

[16/SET/2002]

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