Não à 'máfia'

PAULO REBÊLO

Mesmo sabendo que a exigência do provedor se dá por conta da legislação vigente com o respaldo da Anatel, os usuários parecem dispostos a lutar contra o pagamento de algo supostamente des-necessário. Semana passada, a Sexta Câmara do Primeiro Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo mandou a Telefônica reativar o Speedy de Ana Maria Capucho, sem exigência de contratação de um provedor. De acordo com a revista Consultor Jurídico, a defesa alegou que “o Speedy não é modalidade de serviço adicionado, mas sim serviço de telecomunicação conforme regra expressa do artigo 64, parágrafo único, da Lei nº 9.472/97.”

Sylvio Rodrigues, um dos advogados, disse que a defesa alegou também que “o serviço Speedy foi prestado por mais de seis meses sem qualquer interrupção, o que por si só leva à conclusão de que não é necessário o cadastro junto a um provedor, pois caso contrário o acesso à internet não se viabilizaria.”

Quando as conexões em banda larga começaram a surgir no país, os próprios técnicos informavam que, quando o serviço parasse de funcionar (ocorreu meses depois), bastaria assinar o provedor.

A decisão em favor de Ana Capucho e a revolta dos usuários têm criado uma explosão em listas e sites que “denunciam” a Anatel, as operadoras e os provedores de conluio. No www.nighthiker.com/mdbl, pode-se ler, inclusive, o depoimento de Murilo Fernandes Oliveira, suposto dono de um provedor de acesso no interior paulista que classifica como uma vergonha o que a Telefônica faz com o Speedy e com um conhecido provedor graúdo.

Em abusar.org, mantido pelo empresário Horácio Belfort, os internautas podem ler algumas das respostas da Abranet e de dezenas de usuários sobre a questão, além de diversas normas e portarias da Anatel. No site de Belfort, pode-se ver também a entrevista dele e de outros dois usuários, Daniel Fraga e Adriano Moreira, sobre o tema.

O vídeo foi gravado em 4 de março deste ano, para a TV Bandeirantes e para o Canal 21 (SP), mas ainda não foi ao ar. Belfort garante que já usou softwares para monitorar a conexão internet, reiterando que o sinal não passa pelo provedor, mas apenas pela operadora.

rebelo@gmx.net

webinsider.com.br

[11/ABR/2002]

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