Um amigo marcou um encontro em uma dessas salas com uma dita ''Loira Carente'' num parque e o que lhe apareceu foi um par de assaltantes que lhe levaram a carteira, cartões de crédito e de banco. A tal loira nunca existiu ou era apenas uma isca. Meu amigo jurou que nunca mais entraria em salas de bate-papo, mas ontem estava eufórico: ''Conheci uma mina na internet...!''
Histórias como estas fazem a delícia dos delegados de plantão, das conversas de bar e dos detetives particulares. Ainda um terceiro amigo mandou outro dia um anúncio publicado em um jornal, desses de detetive particular, que dizia mais ou menos o seguinte: ''Adultério virtual também é crime, procure-me e resolvo seu caso com sigilo e discrição...''.
Nada substitui o toque, o gesto, o sussurro e o falar mais empolgado, a cerveja em cima da mesa, o olhar furtivo. Até quando as pessoas irão desligar o mundo e ligar o computador? Até quando vão se esconder atrás de um monitor, de um ''nick''? Até quando vão ''clicar'' em lugar de abraçar, digitar em lugar de acariciar? Falar um monte de asneiras e depois ''sair da sala''. Até quando serão tímidas, medrosas e covardes?
Tente imaginar uma dessas salas no mundo real. Um bar, por exemplo: você chega e primeiro tem que se identificar com um apelido, um porteiro anuncia sua entrada no bar erguendo uma tabuleta na qual está escrito: ''Casado Gostoso entra no bar''. Você senta em uma cadeira e fica com o rosto escondido por um muro. Ninguém vê ninguém e você fica olhando para a parede na qual tem uma lista com os ''nomes'' das pessoas ali presentes. Escreve uma frase em uma placa e ergue uma plaqueta com o apelido do destinatário da sua frase e depois de uns quinze minutos percebe uma outra com seu nome e uma outra frase do tipo ''Vc vem sempre aki?''
Alguém lhe interessa particularmente e você mostra a placa só pro indivíduo. Sem mais nem menos, quando se enche, sai correndo e o porteiro anuncia pro resto do bar, erguendo uma outra tabuleta escrita: ''Casado Gostoso sai do bar''. Ninguém se interessa porquê você entrou e muito menos porquê saiu. Nenhum olhar, nenhum gesto, nenhum aceno, nada, apenas frases mal escritas e placas com nomes. E o mais complicado é que ainda nesse tal bar, ao você sair, pode ser seguido por alguém que pode lhe causar uma série de problemas, pelas esquinas escuras, vielas mal iluminadas e becos sem saída da internet.
Luiz ''Barata'' Cichetto é criador do site A Barata abarata.com.br