Quinta-feira, 1 de Novembro de 2001
Desenhos tecnológicos: União com os pais

Fernando Rabelo
Guilherme Martins

Guilherme Martins, 5, conta que aprendeu com um desenho o mal que o vírus pode causar

Mas não é todo pequerrucho que é chegado em desenhos tecnológicos. É o caso do estudante Felipe Dias da Mota, 9 anos, da terceira série do colégio Santo Inácio. ''Os desenhos são bons, podem até ensinar divertindo, mas não substituem uma professora'', analisa, com a cara séria de quem tem duas aulas de informática por semana na escola.

E, assim como algumas crianças, há mães que torcem o nariz para esses desenhos modernosos. ''Não gosto quando meu enteado passa um fim de semana inteiro na frente de uma tela. Por isso, não sei até que ponto acho bom ensinarem na tevê a mexer ainda mais no computador. Gostaria que ele aproveitasse o resto da infância, brincasse, jogasse futebol'', observa Renata Rangel, empresária, mãe de Maria Júlia, de 2 anos, e madrasta de Diogo, de 13.

Já a psicóloga Gabriela Cantanhede Pesce, crítica fervorosa quando o assunto é aprendizado por televisão, acredita que desenhos tecnológicos não são de todo mal e podem até causar uma união maior dentro de casa. ''Apesar de crianças e adultos terem formas de aprendizado peculiares, pais podem aprender com filhos e, depois, estimulá-los a criar, a aplicar o que acabaram de aprender na tevê. Já que vai ver televisão o dia inteiro, que seja uma coisa instrutiva'', diz. ''Mas vale dizer que, por mais que o computador seja uma realidade em muitas casas e escolas, acho que meninos e meninas precisam de um lugar para se desenvolver, precisam brincar na praça, andar de bicicleta, cair, correr'', complementa.

Sem vírus - O fofíssimo Guilherme Martins, um pequerrucho de apenas cinco anos, não hesita em dizer por que gosta de desenhos como o Autopista, exibido diariamente na Fox Kids, do qual é fã incondicional. ''Desenho de luta não ensina nada. Com o Autopista eu aprendi o mal que um vírus pode causar. Aliás, meu computador nunca teve um vírus'', gaba-se, com a autoridade de quem joga e navega na web ''há muito tempo''.

A tia, Claudia Parkinson, aplaude a queda do sobrinho por programas que recorrem a temas do cotidiano dos pequenos. ''Acho ótimo desenhos assim. Muitas vezes os pais não sabem explicar direito e acabam usando termos errados e prejudicando o aprendizado. No desenho Reboot, da Discovery Kids, os personagens têm nomes como Megabyte e Mouse. Assim, as crianças nem percebem que estão aprendendo'', acredita.

No colégio Miraflores, em Laranjeiras, a aula de informática começa cedo, para adaptar o quanto antes o aluno ao mundo virtual. ''Acho que os desenhos animados que ensinam a mexer no computador, por serem de interesse de muitos pais, também acabam sendo um momento de integração na família'', explica a psicóloga do colégio, Márcia Figueiredo. ''Vila Sésamo www.sesameworkshop.org é um bom exemplo de que a tevê, quando quer, consegue cumprir com louvor o papel de ensinar. Mas vale dizer que ela deve ser considerada apenas mais um instrumento que pode ser útil ao ensino'', conclui. (T.R.)

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