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Difamação virtual
FoiPreso.com engana os distraídos
LUIZ MAKLOUF CARVALHO
SÃO PAULO
Um susto e tanto, com certeza. Depois, talvez, uma boa gargalhada. É isso o que oferece a mais nova brincadeira de mau gosto da Internet, o FoiPreso.com. Ela chega por e-mail, com o aviso de que algum amigo seu encontrou na rede ''dados pessoais muito interessantes a seu respeito. Pelo teor, acho que seria ideal você verificar imediatamente a veracidade dos fatos''.
Ao abrir a mensagem, (e quem resistiria?), o desavisado navegante verá seu nome na manchete do jornal O Escândalo: ''Comunidade chocada com a notícia de que (seu nome) foi preso após ter dançado nu em boate homossexual''.A notícia segue, com o seu nomezinho eventualmente sagrado e impoluto envolvido em cenas de sexo explícito, escândalo no meio da rua, briga com policiais militares e até abaixo-assinado dos vizinhos para que você se mude.
Sujou!, se há de dizer, pensando em processo, palavrões para o e-mail de resposta, maneiras de tirar aquilo do ar, de qualquer jeito e o mais rápido possível. Com um pouco de calma, descobre-se, num click, um link que promete salvar a honra e a família: Como tirar meu nome deste site.
O alívio repentino é frustrado no link seguinte, onde se informa, com um cruel Sorria, você foi preso!, que é impossível retirar o nome. O máximo que se pode fazer é enviar a maldade para aquele amigo que sai do sério com facilidade. O nome dele estará na mesma notícia, e muito provavelmente haverá boas gargalhadas no próximo encontro.
Até ontem, com uma semana de estréia, 43 mil pessoas haviam sido vítimas do susto.
A graça está, se graça houver, em que a página só aparece na rede se você digitar o seu nome próprio ou o do seu amigo depois do http://. Um exemplo: http://seunome.foi preso.com.
O dono do site, e da idéia, é o brasileiro Gilnei Moraes, residente em Miami, Estados Unidos. Para acalmar a ira momentânea e poupar e-mails raivosos, ele assumiu a autoria, identificando-se como ator, dublador, escritor, programador e web designer. ''O site é para fazer rir'', diz. E também para ganhar algum, já que está aberto para anunciantes. Moraes conta que a página foi desenvolvida quando estudava uma teoria sobre o DNS (sigla de Domain Name Server, o conjunto de endereços dos sites na internet). ''O programa usado é dinâmico e aceita qualquer palavra entre o http:// e foipreso.com'', explica.
Trocado em miúdos: existe apenas uma página, com a ''notícia'' sobre a prisão do incauto visitante. O mesmo texto é repetido, mudando automaticamente o nome do destinatário. ''Somente você leu o conteúdo com a palavra ou o seu nome. Assim que abandonar o site, nada mais existe'', explica Moraes no site.
Não é bem assim. Imagine-se, por exemplo, que o e-mail seja aberto pelo filho, pela mãe ou pela esposa do indigitado. Ou, pior, que acabe virando um site mesmo, por obra e graça daquelas intenções de que o inferno está cheio. Moraes nem está aí: ''Em poucos dias o site tem provocado polêmica, risos e histórias surreais'', diverte-se em e-mail enviado ao JB.
Entre os ''prisioneiros'' que protestaram, no link Cartas da prisão, houve quem o ameaçasse com as barras dos tribunais e quem visse o www.foipreso.com como uma palhaçada infantil. Uma certa Mara reclamou que perdeu um dos amigos a quem enviou o e-mail. Um outro, Jordan, o chamou de ''corno replicante'', pela brincadeira chocante. Por essas e outras, Gilnei indicou no site o fórum em que se encontra. É a Comarca de Dade County, em Miami, EUA, ''caso alguém queira realmente me processar'', diz.
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