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Estação das letras
Começa na sexta a Primavera dos livros, com lançamentos, debates e negócios
Vivian Rangel
O público que chegará ao Jockey na sexta não estará usando chapéus enfeitados e provavelmente não sabe o nome do eqüino mais veloz do momento. São leitores, editores e pesquisadores que aproveitam o caráter híbrido da Primavera dos livros - obras com descontos, debates, música e até mesmo conversas sobre futuras publicações. Alguns devem saber que a feira ajudou a revelar autores contemporâneos - como o grupo de escritores do sítio Paralelos, que lançou contos na edição de 2003. Ou talvez busquem novidades do mercado editorial, detalhados em números em um estudo apresentado no ano passado. Mas é provável que a grande maioria esteja mesmo em busca de pechinchas, novos títulos ou daqueles preciosos cinco minutos de bate-papo com o escritor preferido.
- O diferencial da Primavera é que os leitores podem se sentar e saborear as obras, comprando ou não os livros. Além disso, há todo um estímulo a novos autores que podem conversar com os editores, presentes durante toda a feira - explica o presidente da Liga Brasileira de editoras (Libre), Angel Bojadsen.
A previsão para a quinta edição carioca do evento é receber 20 mil leitores nos três dias de feira, um recorde para um movimento que começou tímido, quando um grupo de pequenos editores se reuniu para organizar um evento que viabilizasse o contato direto entre livreiros e leitores. O objetivo era unir forças e burlar as dificuldades de distribuir as obras em um país de grande extensão e com uma quantidade de leitura per capita vergonhosa. Hoje, cerca de 90 editoras dividem o espaço dos estandes, durante três dias que ajudam a eliminar as sobras de edições e solidificar a identidade do pequeno selo para o público.
- O desenvolvimento de pequenas editoras é evidente na produção dos livros, que mantiveram o que havia de bom e charmoso do artesanal e conquistaram qualidade de produção e acabamento - elogia o escritor Marcelo Moutinho.
Exclusiva para os editores e livreiros, a quinta-feira é reservada para discutir a crise do mercado editorial. No ano passado, uma pesquisa financiada pelo BNDES revelou que entre 1995 e 2004 a quantidade de livros vendidos caiu 31%, enquanto o valor do preço de capa teve uma perda de 49%. Este ano, o objetivo é apresentar soluções para sair da crise.
- Falaremos de medidas fiscais e de programas de financiamento que já existem, mas ainda não foram bem divulgados, como o cartão de crédito para o livreiro. E também de fundos de estímulo à leitura - adianta o economista Fábio Sá Earp, que desenvolveu a pesquisa ao lado do também economista George Korni.
A partir da sexta, o público poderá escolher os debates e lançamentos que deseja assistir. O homenageado dessa edição é o escritor João Ubaldo Ribeiro, que terá uma coletânea que reúne livros como Viva o povo brasileiro, Casa dos budas ditosos e Sargento Getúlio, além de contos, lançada na feira. O escritor baiano é tema ainda de dois debates, o primeiro deles sobre as dificuldades e riquezas de transpor seus textos para outras linguagens. A outra discussão traz o escritor analisando a própria obra, o que promete render momentos divertidos, considerando o famoso senso de humor do literato.
Na programação infantil, leituras de As aventuras e desventuras de Dom Quixote de La mancha, de Ana Maria Machado, debates sobre o clássico de Cervantes com participação de Ferreira Gullar e Marina Colasanti, oficinas recreativas e jogos lúdicos. Os mais crescidos poderão analisar a produção brasileira contemporânea, debatida pelos escritores Marcelo Moutinho e Paloma Vidal, que identificam traços estéticos comuns ao teatro, cinema e a ficção.
- Queremos falar sobre os novos autores indo além das discussões sobre internet e blogs, abordando as influências que as outras artes trazem à literatura. Obviamente isso não é algo novo, mas é preciso propor uma reflexão sobre esses fios, já que ficção atual está absolutamente embebida em outros campos - afirma Moutinho.
Entre os lançamentos, a Casa da Palavra promete mais um volume para os bibliófilos, o Livro entre aspas, de Carlo Carrenho e Rodrigo Magna Diogo, uma coletânea de frases ''para escritores, leitores, editores, livreiros e demais insensatos''. Chico César apresentará Catáteis - cantos elegíacos da amozade (Garamond) , um poema que o artista levou 15 anos para concluir e define como um ''cordel pós-moderno''.
Os cantores Gabriel, o Pensador e o Nei Lopes participarão do último dia da feira autografando e debatendo. O rapper assinará o infantil Um garoto chamado Rorbeto (Cosac Naify) e o sambista lançará Partido alto, samba de bamba (Pallas). Com sorte, o leitor ainda terminará o domingo em uma animada roda de samba.
Começa a PrimaveraQuando De 23 a 25 de setembro, das 10h às 22h Onde Jockey Clube Brasileiro, entrada pela Praça Santos Dumont, 31 - Gávea Quanto R$ 2 , com meia entrada para estudantes e idosos Mais informações www.primaveradoslivros.com.br
[17/SET/2005]
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