Faulkner em obra erótica

Sueli Cavendish

Professora visitante do Departamento de Ciência da Literatura da UFRJ

William Faulkner

Palmeiras selvagens
William Faulkner
Cosac & Naify
296 páginas
R$ 37

Quando Palmeiras selvagens surgiu, em 1939, a sua peculiaríssima estrutura - duas histórias galopando lado a lado que nem parelha paradoxal de animais desconcertados - foi recebida com rejeição quase unânime pela crítica. Mais que às histórias per se, o que se desaprovava então era o seu enlace, o fato de serem contadas em capítulos alternados de um mesmo livro, um arranjo que parecia arbitrário e artificial, uma vez que as narrativas jamais se encontram.

''Palmeiras selvagens'' trata de um casal que se recolhe para viver sua paixão longe de quaisquer constrangimentos sociais, enquanto a que é chamada de ''O velho'', por referência ao ''Old man river'', o Rio Mississipi, trata de um homem solitário em luta contra os elementos. Considerada a melhor história sobre o Rio Mississipi desde Huckleberry Finn, ''O velho'', fez carreira solo durante algum tempo: publicada pela Signet Books, em seguida integrou, com dois dos mais famosos contos de Faulkner -''Cavalos malhados'' e ''O urso'' - um volume editado em 1958 pela Modern Library. Na famosa edição especial sobre o autor, da Viking Portable Library, Malcolm Cowley, sob o argumento de que a história é mais eficaz que ''Palmeiras Selvagens'', publicou-a, mais uma vez, desgarrada do seu par.

Aquilo que Faulkner unira, portanto, a crítica desses anos tentava separar.

Com alguma ironia Palmeiras selvagens pode ser visto como um romance de formação - formação sexual, Bildungsroman erótico, tema aliás muito caro a Faulkner - uma vez que trata da iniciação sexual de Harry Wilbourne por Charlotte Rittenmeyer, espécie de deusa pagã que conhece em Nova Orleans.

[21/JUN/2003]

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