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A fuga de Dom João VI ao Brasil
Em texto inédito no Brasil, marinheiro inglês faz um relato dos bastidores da aventura da corte portuguesa desde a travessia do oceano em direção aos trópicos, narrando o desespero dos que tentavam escapar de Napoleão
JEAN MARCEL CARVALHO FRANÇA
A 7 de março de 1808, entrava na baía de Guanabara a nau que trazia o Príncipe Regente D. João VI. Acabava, enfim, por concretizar-se, em decorrência do furacão napoleônico que varria a Europa, uma idéia que há muito circulava entre os cortesãos do reino: a de transferir a sede da monarquia portuguesa para o Brasil.
A frota que trouxe o monarca e a famigerada comitiva de pelo menos 15 mil pessoas, frota formada por oito naus, quatro fragatas, 12 brigues e alguns navios mercantes, zarpara do porto do Tejo a 29 de novembro de 1807. Aguardava-a, fora da barra, para conduzi-la ''em segurança'' ao Brasil, uma esquadra de seis navios ingleses, comandada pelo almirante Sir Sidney Smith (1764-1840). Depois de ancorados no porto carioca, o imediato de um desses navios, o irlandês Thomas ONeill - sobre o qual nada conseguimos apurar -, resolveu aproveitar o seu tempo ocioso em terra e colocar no papel as observações que recolhera sobre a fuga de D. João VI da capital portuguesa, sobre a viagem até e o Brasil e sobre a nova sede da monarquia portuguesa. No trecho que se segue, o leitor encontrará as notas que deixou o britânico acerca dos últimos dias da família real em Lisboa e de seu conturbado embarque rumo ao refúgio nos trópicos.
Este texto inédito no Brasil foi traduzido de um trecho de A concise and accurate account of the proceedings of the squadron under the command of admiral Sir William Sidney Smith, escrita por Thomas O'Neill e publicada em Londres em 1809.
Texto de Thomas O'Neill
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