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O filósofo diante de Freud
No Rio para um workshop de três dias, Jacques Derrida debaterá sobre psicanálise, crueldade e soberania e o futuro do homem
LENEIDE DUARTE
Há mais de 30 anos, o filósofo francês de origem argelina Jacques Derrida, de 70 anos, marca a cultura francesa através de ensaios filosóficos sobre literatura, arte, política e psicanálise. Seus livros Lécriture et la différence (A escritura e a diferença/Perspectiva, 1972) De la grammatologie
e La dissémination já se tornaram clássicos. Um pensador desconcertante, que não cessa de surpreender e provocar polêmica, Derrida publicou o livro Spectres de Marx (Espectros de Marx/Relume Dumará) em 1993, vindo na contra-mão, como o próprio Marx em seu tempo, num momento em que o mundo capitalista comemorava o fim do comunismo.
Entre todos os filósofos contemporâneos, Derrida é o que mais questionou e interpretou com perspicácia a psicanálise e a obra de Freud e de Lacan. Entre seus inúmeros livros que tratam de psicanálise, contam-se La Carte Postale, de Socrate à Freud et au-delà (Aubier), Spéculer sur Freud, Psyché: Inventions de l autre (Galilée), Mal darchive (Galilée) e Résistances de la Psychanalyse (Galilée). Por isso, na abertura dos Estados Gerais da Psicanálise, o grande encontro de psicanalistas do mundo inteiro, realizado de 8 a 11 de julho do ano passado em Paris, Derrida fez, como convidado especial, uma conferência considerada brilhante. O texto foi publicado sob o título États dâme de la psychanalyse: limpossible au-delà dune souveraine cruauté.
Um filósofo que não se furta ao engajamento intelectual, Derrida visitou a Tchecoslováquia quando o presidente Havel estava preso, esteve com Nelson Mandela e se debruça sobre temas extremamente atuais como a soberania, a crueldade, a hospitalidade, o perdão e a pena de morte. Por sua vasta e diversificada obra, Derrida é um dos mais respeitados e polêmicos pensadores da atualidade.
Fundador do Collège International de Philosophie, ele ensina na École des Hautes Études en Sciences Sociales e, desde a década de 70, dá aulas em várias universidades americanas. O filósofo, que já escreveu mais de 30 livros, foi citado em mais de 15 mil artigos e estudado em centenas de livros publicados em todo o mundo.
Jacques Derrida e o psicanalista René Major, idealizador dos Estados Gerais da Psicanálise, estarão no Rio de 7 a 9 de junho para um workshop no Planetário da Gávea que terá a seguinte programação: dia 7, quinta-feira, de 20h às 23h: Derrida e a psicanálise. A psicanálise com Derrida: René Major e Jacques Derrida (abertura de Helena Besserman Vianna); dia 8, sexta-feira, de 20h às 23h: Amizade e hospitalidade: Jacques Derrida; dia 9, sábado, de 9h às 13h: Crueldade e soberania: Jacques Derrida; dia 9, sábado, das 16h às 19h: O futuro do homem face à tecnologia: Jacques Derrida e René Major. Nas quatro conferências, os introdutores dos temas serão, respectivamente, Kathreen Rosenfield, Joel Birman, Chaim Katz e Sérgio Paulo Rouanet.
A hospitalidade e as novas tecnologias
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