Cris Noronha tem 21 anos e jeito de menina. Parece ter crescido sem acreditar piamente ser uma das mais belas criações divinas, a prova da generosidade e injustiça (com as outras mortais) de Deus, uma obra-prima. Não que ela faça o gênero de reclamar da barriguinha inexistente, de certo ângulo do rosto ou dos seios naturais. Ela gosta, adora o conjunto, mas verdadeiramente não parece dar muita importância a isso.
- Na adolescência ninguém queria saber de mim. Diziam que eu era bonita, mas magrinha. Era a encalhada da turma da escola - diz, rindo.
Pela simplicidade da nossa Musa do Verão 2004, a gente até acredita. Mas reluta. Como imaginar que isso tudo aí já foi preterido? O que passava na cabeça desses adolescentes, incapazes de ter qualquer percepção de futuro ao desdenhar de Cris Noronha? É como um técnico de futebol, mesmo iniciante, ser incapaz de perceber o talento dos grandes craques.
Mas o desprezo não fez a morena de 1,72m, 56 quilos e olhos castanhos claros sofrer. Ela tirava de letra, não dava tanta relevância a encontros naquela idade. O primeiro beijo na boca, lembra, foi aos 14 anos, bem mais tarde que as amigas. O namoro veio só aos 16, quando cursava o primeiro ano do segundo grau (hoje ensino médio) no colégio São Vicente de Paulo, em Niterói.
Nossa musa, sim, mora do outro lado da ponte, terra conhecida por prover algumas das mais belas mulheres do Brasil. Mas não nasceu lá. Ela viveu até os 12 anos em São Fidélis, no Norte Fluminense, cidade que deixou marcas profundas em sua personalidade. Cris mantém certo ar de interiorana, de menina-moleca. Gosta de passear a cavalo, comer bem e ficar quieta ao lado do namorado, o felizardo médico Fernando Pina Cabral, de 29 anos. Foi criada numa bela casa, de quatro quartos, com quintal, ao lado do único irmão, Gustavo. Seu pai, Antonio Eduardo Noronha, tem fazenda de gado leiteiro em Pádua. A mãe, Fátima Margarete, vive em Niterói, onde mantém uma loja de roupas. Na infância, Cris fez tudo que fazem as crianças de roça. Quando chegou à cidade grande, estranhou:
- Não gostei do modo como era tratada. No início chorava todos os dias, quase repeti de ano, sentia falta da maneira mais simples da vida do interior - conta.
Cris, no entanto, vive hoje o que o Rio tem de melhor. Costuma correr e andar de bicicleta na Lagoa pelo menos três vezes por semana - seu namorado mora na Avenida Epitácio Pessoa. Freqüenta as praias de Ipanema (na altura da Rua Joana Angélica), da Barra e de Itacoatiara. Assiste a filmes nas salas do New York City Center. Gostou dos shows que movimentaram o verão, como os do Morro da Urca e os da Marina da Glória. Viaja nos fins de semana para Itaipava. Lá, anda nas trilhas, bebe vinho e sai para os requisitados restaurantes da Serra. Cris adora comer e nunca fez dieta. Malha três vezes por semana, mas não religiosamente.
- Não tenho tendência a engordar. Adoro massa, chocolate, biscoitos. Posso provar de tudo, sem problemas.
Só não gosta muito das boates, de noitadas. Já freqüentou a Nuth, o Cozumel, mas atualmente prefere bares mais calmos e restaurantes. Sentia-se incomodada com algumas pessoas.
- Faltam educação e respeito na noite. E isso é chato.
Chegar à nossa musa foi tarefa relativamente fácil. Um amigo comentou que o Costão, canto esquerdo de Itacoatiara, era freqüentado pela mais bela mulher do Rio. Deu seu nome e o repórter foi buscar mais informações. Descobriu que ela era modelo e já havia aparecido na revista Vizoo. O jeito foi ligar para o editor, Pedro Garrido, e perguntar sobre a moça. Garrido foi animador:
- Cara, pode parar de procurar, a Cris é a musa do verão. Não tem ninguém tão bonita, nem com jeito tão carioca quanto ela.
A gente acreditou, mas não parou de buscar novos rostos. A equipe foi a academias, bares, festas, praias, continuou a pegar referências com amigos e ainda montou um concurso, pela primeira vez, para eleger a musa. Recebeu mais de 300 inscrições de candidatas. Dessas, 30 ficaram para a primeira eliminatória. Na segunda, restaram 10. Por último, foram escolhidas as três primeiras colocadas, numa derradeira seleção realizada pelo júri composto por repórteres, editores, colunistas do JB e empresários, na sexta-feira dia 12. Cris ganhou por unanimidade. Logo ela, que resistiu quanto pôde à possibilidade de participar.
- Não queria. Mas aos poucos fui sendo convencida, achando a idéia legal. Especialmente porque a musa do verão tem um perfil diferente. Ela representa o Rio, que amo, e passa a imagem de mulher saudável. Nunca pensei em pôr silicone, adoro fazer esporte, achei que poderia ser legal. De alguma forma, daria um exemplo às outras meninas - conta ela, que ao vencer o concurso ganhou assinatura de um ano do Jornal do Brasil e 12 meses de malhação na academia Estação do Corpo.
Cris chegou a cursar administração na PUC, mas deixou a faculdade. Este ano vai prestar novamente vestibular. Ela gosta de comunicação, mas, diferentemente de muitas outras, não sonha em apresentar um programa de esportes. Daqui a 10 anos, ela se imagina casada, se possível com três rebentos:
- Sei que é difícil. Está muito caro ter filhos hoje em dia, mas meu sonho é ver minha casa cheia de gente. Isso me deixaria feliz.
Cris é a musa da estação que terminou ontem. Foi ela que, de Itacoatiara à Barra, passando por Itaipava e Búzios, jogou luz no verão modorrento. É a nossa musa, escolhida para brilhar o ano inteiro.
Elas quase chegaram lá
Mirella Walesco
Escolher uma só foi tarefa árdua. Mirella, nossa vice-musa, é linda e cursa o 7º período de jornalismo na Estácio de Sá. É boa aluna, vive na Barra e prefere bicicleta a carro. Não pode ficar sem dar um mergulho na praia, mora de frente para o mar e tem espírito aventureiro. Já fez o Rali dos Sertões, é comunicativa e saudável. Sem dúvida, outra excelente representante da mulher carioca.
Juliana Valeriano
Ela foi a surpresa da eleição. Quase não ficou entre as 10 finalistas. Mas o rosto, de traços marcantes, encantou Sergio Mattos, da agência Mega. O jeito simples e a simpatia conquistaram os jurados. Juliana mora na Freguesia, estuda na PUC, se incomoda com a violência do Rio, não imagina como seria viver numa cidade sem praia. Ficou com a 3ª colocação.