Ela tem como opção de vida ser feliz. Faz o que gosta, vive intensamente seus romances e se engaja em causas sociais. Fala o que pensa e às vezes paga caro por isso. A atriz Luana Piovani, de 27 anos, quer mais. Mais prêmios para o espetáculo infantil
Alice no País das Maravilhas, que reestreou no Rio, mais felicidade na vida pessoal, mais aprendizado na profissão.
- Qual a expectativa para a reestréia?
- Acho que vai ser em grande estilo. Depois de muito esforço conseguimos voltar ao Rio, agora no Teatro da Uerj. A temporada no João Caetano foi ótima, mas não queria mais. Tem uns 20 meninos de rua cheirando cola na porta. As crianças ficam com medo, os pais também e a polícia não ajuda.
- Você manipula marionetes para a peça. Tem facilidade de aprender coisas novas?
- A minha profissão exige e dá essa oportunidade de aprender mil coisas. Já fiz esgrima, tive aula de técnica circense e agora estou aprendendo a jogar futebol para o filme O casamento de Romeu e Julieta, de Bruno Barreto, que começo a gravar mês que vem.
- O que mais você quer aprender?
- Estarei satisfeita quando souber cantar, tocar violão, falar francês e italiano. Quero morar na Itália brevemente.
- Você foi eleita pela revista Vip a mulher mais sexy do mundo em 1997. Você assume este título?
- Claro que é bom, afaga o ego. Mas não muda minha vida, o que importa é gente pagando para ver a peça e falando comigo depois. Eu me acho sensual, sensualidade é uma coisa que nasce com a pessoa, não basta querer. Senão acaba sendo cafona.
- Recentemente você declarou que fuma maconha. Sempre paga o preço da sinceridade?
- Sim, e o que falo vira banquete para a mídia. Não pagam minhas contas, então digo o que penso. A questão maior é o tráfico, não o usuário. Deu dor de cabeça, mas fiquei orgulhosa.
- Como assim?
- Sempre achei que fosse uma alienada política e descobri que não sou. Sou politizada indiretamente. Questiono, não estou satisfeita com a realidade que nos oferecem, estou ligada ao que está acontecendo e pedindo ajuda. Na peça, por exemplo, quem levar um quilo de alimento paga meia entrada, e esses alimentos serão doados ao Fome Zero.
- Mas você chegou a ser indiciada por apologia as drogas?
- Não, isso é fofoca. Sou um exemplo de cidadã. Pago as minhas contas, tudo meu é declarado, não tenho nada errado na minha vida.
- Você estreou na TV há 11 anos, na minissérie Sex-appeal. Imaginava chegar onde está? E onde imagina estar daqui a 10 anos?
- Não imaginava fazer essa minissérie, quanto mais fazer o que faço hoje. Aos 19 anos, quando descobri o teatro, soube que era o que eu ia morrer fazendo. Daqui a 10 anos, se Deus quiser, vou estar com mais um bocado de prêmios das minhas peças infantis, vou ter conseguido fazer mais uns filmes bacanas, estarei mais feliz do que hoje e não tanto ainda quanto quero, e já devo ter aprendido a tocar meu violão.
- O que mudou na sua vida nesse tempo?
- Passei a ser uma pessoa que está 24 horas por dia sendo observada. Tive que aprender a lidar com isso. E estou indo bem, faço terapia e tenho como opção de vida a felicidade. Não deixo de fazer as minhas coisas porque sou a Luana Piovani, famosa, que todo mundo está olhando. Pago este preço, feliz. Já que tenho tanta vantagem, tanta coisa boa acontece na minha vida, tinha que ter um osso neste bifão.
- Você está sempre vivendo romances intensos. Tem medo da solidão?
- Sou intensa, sim, na alegria, na tristeza, em tudo. Quando estou com alguém é porque estou loucamente apaixonada. Mas não tenho medo de ficar sozinha. Eu me dou muito bem comigo.