Equilíbrio entre câmbio, motor e suspensão é o trunfo do sedã de luxo da Ford, que, todavia, derrapa no preço salgado
Finalmente a Ford volta a vender no Brasil um sedã de luxo. O novo Mondeo, que começou a ser importado recentemente ao país, chega mais com a missão de trabalhar a imagem da marca do que propriamente de se tornar um campeão de vendas. E nem poderia ser diferente, pois não tem preço para isso. Teoricamente, o carro conta com todos os predicados para competir com o Chevrolet Vectra, que, aliás, é seu adversário na Europa. Mas o preço o afasta, e muito, de seu concorrente da GM.
Embora esteja mais em conta que Volkswagen Passat, Honda Accord e Alfa Romeo 156, a nova versão manual do Mondeo estréia por aqui custando quase R$ 70 mil. Mais cara, portanto, que Citroën C5 e Peugeot 406, modelos que se equivalem em relação a luxo e conforto.
Estilo_ A última mexida no visual do Mondeo foi feita pela Ford em 1996. Agora, produzido na mesma plataforma do Jaguar X-Type, o veículo ganhou linhas que o deixaram ousado. O interior, mais espaçoso que o do modelo antigo, não nega influências de traços germânicos, sobretudo no painel; e o exterior reza a cartilha adotada pela Ford nos seus últimos lançamentos. Basta ver a cara do pequeno Ka ou do esportivo Cougar, vendido somente na Europa.
Conjunto _ O sedã da Ford pode ser considerado um carro que vence pelo conjunto. Motor, suspensão e câmbio trabalham sempre em sintonia. O propulsor Duratec (feito com bloco em alumínio), de quatro cilindros em linha, rende 146 cavalos de potência. Não é o suficiente para dar ao sedã uma "pegada" com pretensões esportivas, principalmente se levados em conta seus mais de 4,5 metros de comprimento; em contrapartida, não deixa o motorista a ver navios nas ultrapassagens e nas retomadas de velocidade.
Os números fornecidos pela fábrica indicam um bom desempenho: 214 km/h de velocidade final ; e 10,5 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Na Europa, quem faz questão de um desempenho mais arrojado tem a opção do motor 3.0 V6, mas o preço demasiadamente elevado desencoraja a Ford a trazer a versão apimentada para o Brasil.
Os principais méritos do novo Mondeo remetem mesmo ao câmbio, bem escalonado e de engates precisos, e à suspensão, que, devidamente calibrada, suportou com desenvoltura as irregularidades do asfalto das ruas do Rio, no teste feito por Carro e Moto.
Detalhes _ Se o cartão de visitas do automóvel está no equilibrado conjunto, nos detalhes _ onde mora o perigo, segundo a sabedoria popular _ surgem algumas derrapadas. O veículo não dispõe, por exemplo, de luz de cortesia no interior do porta-luvas. Além disso, o sistema de acionamento dos vidros não conta com um temporizador para garantir o seu funcionamento alguns segundos depois de desligado o motor. Ajuste elétrico do banco, só em relação à altura. Sem contar que os bancos de couro não estão disponíveis ao menos como opcionais. Trata-se de um acessório apreciado pelos consumidores de carros nesta faixa de preço e presente nos modelos da categoria, e até em automóveis de linhagem inferior.
Com exceção destes deslizes, o sedã de luxo, importado somente na versão Ghia, traz todos os itens de conveniência esperados num automóvel desta estirpe, como volante de quatro raios revestido em couro, freios a disco nas quatro rodas com sistema ABS, ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico e computador de bordo. Este, embora de fácil manuseio, não é dos mais completos. Não informa, por exemplo, o consumo médio e a quantidade de gasolina restante no tanque.