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Só o amor constrói


Waldir Leite

Colaborou Andréa Dutra

Jonas Cunha
Bruno Chateubriand e André Ramos

Bruno e André, os netos que a vovó pediu a Deus, união feliz desde os 14 anos, no apê de paredes vermelhas de Copacabana

Eles são os genros que a sogrinha sonhou, netos que a vovó pediu a Deus, filhos que as mães se orgulham de ter, e companheiros que todo mundo quer. Encontraram um ao outro, aos 14 anos de idade, ficaram amigos, tornaram-se cúmplices, formaram um duo que nunca desafina e foram felizes para sempre.

O apartamento

O elegante mordomo é quem abre a porta do apartamento, no décimo andar do Edifício Chopin. No hall, dois quadros, no estilo pop-art, celebram os donos da casa, repetindo seus rostos várias vezes.

O hall desemboca num amplo salão, de piso, teto e paredes brancas. O piano de cauda dá um toque clássico ao ambiente. À esquerda, uma parede toda espelhada parece aumentar ainda mais a sala espaçosa. Um conjunto estofado em veludo azul valoriza a decoração. No centro da sala, uma mesa redonda, onde se destaca um impressionante arranjo de rosas vermelhas. Dezenas de rosas, arrumadas de maneira a formar uma grande esfera de flores. As espaçosas janelas de vidro parecem um gigantesco quadro onde se vê, em toda sua dimensão, uma das mais belas paisagens do mundo: a Praia de Copacabana. Na sala contígua, o vermelho vivo das paredes, o estampado dos sofás, a estante de livros e o tapete persa dão um clima mais intimista ao ambiente. O cenário retrata requinte, bom-gosto, sofisticação e uma envolvente alegria de viver.

Eles

Bruno Chateubriand surge com os cabelos presos num rabo-de-cavalo, vestindo jeans branco e camisa social de linho azul-claro, combinando com o sapato. Logo depois, aparece André Ramos, fazendo um estilo mais sóbrio. Calça cáqui, camisa de malha preta e blazer.

Bruno e André formam um dos casais mais conservadores e badalados do nosso high. Valorizam as tradições, cultivam rituais familiares, e respeitam os mais velhos. É impossível imaginá-los um sem o outro. É algo como o Gordo sem o Magro. Batman sem Robin, Tom sem Jerry, e por que não dizer, goiabada sem queijo e Romeu sem Julieta? O estilo de vida dos rapazes é fascinante para quem sonha conseguir a mesma atenção da sociedade e da mídia. Mas eles avisam que glamour é coisa para as páginas de revistas:

- Nós não bebemos champagne no café-da-manhã - diz André, exibindo um sorriso bonachão - Eu trabalho no ramo da construção civil. Junto com minha mãe e meu irmão, cuido da empresa que nós herdamos do papai.

- Ser glamouroso dá muito trabalho e eu tenho mais o que fazer - aquiesce Bruno -, nós temos os nossos dias completamente ocupados. Eu tenho duas lojas de sapatos e estou abrindo a Di Chateau, especializada em guardanapos, coisa que não existe no Rio, diz. Chiques, chiques.

Chopin

Bruno é formado em jornalismo e dedica o tempo livre a escrever o livro Se esse Chopin falasse, uma biografia do prédio onde moram.

Ele conta: ''O Edifício Chopin ficou conhecido através do colunismo social, em especial pela coluna da Hilde, que acabou por transformar o prédio em personagem. No meu livro, é o próprio Chopin quem conta a sua história, na primeira pessoa, desde a época em que havia uma pedreira aqui. O livro também fala da venda das primeiras unidades, da campanha publicitária para vender os apartamentos. Nas minhas pesquisas, descobri, por exemplo, que a família Tamborindeguy foi a primeira a comprar apartamentos no Chopin''.

Mas Bruno não vai deixar de fora festas e personalidades. Nem as fofocas, nem os trepidantes réveillons. Vai usar as janelas do edifício como olhos, pra contar as histórias do condomínio formado pelo Prelude, o Balada, e o próprio Chopin. Janela indiscreta para o high, que de vez em quando vive seus dias de low. O Copacabana Palace também será um personagem importante no livro, já que os moradores do Chopin podem se associar ao hotel e usar suas dependências como clube, playground, restaurante, além de jogar tênis na quadra fantástica que fica em cima do teatro.

Nem só de glamour e trabalho vive a dupla Ramos & Chateaubriand. Bruno foi seis vezes campeão brasileiro de ginástica olímpica na modalidade Tumbling, quando adolescente; representou o Brasil em diversos torneios no exterior, e exibe, com orgulho, as cento e vinte medalhas que ganhou como atleta. Seu próximo livro será sobre o mundo dos esportes, um livro técnico para orientar os esportistas na administração das suas carreiras e dar o caminho das pedras na direção do patrocínio. Ele sabe tudo sobre as leis do esporte no Brasil. André não é pitboy, mas praticou jiu-jitsu durante muitos anos, e nutre um grande respeito pela família Gracie. Esses meninos adoram uma família!

O mundo de R. & C. é um turbilhão de intensa agenda social e profissional, e viagens. Egito, Espanha e Índia. Austrália e Nova Zelândia. O mundo é uma Disney para eles, que guardam as cidades de Los Angeles e Paris envoltas em seda pura, dentro dos corações.

Bruno adora Los Angeles, apresentada a ele pelo cinéfilo André, que chegou a se mudar pra lá, a fim de estudar cinema e se tornar ''um grande produtor''. Lá, têm amigos, saem para jantar nos estúdios e fazem parte dos happy few convidados para avant-prémières exclusivérrimas.

- Cheguei à conclusão de que minha relação com o cinema era de admiração. De fã. Além disso, eu precisava cuidar da herança de meu pai, diz um André resignado, rico, famoso e amado.

Em plena primavera da vida, aos 28 anos, o caminho dele é longo, e quem sabe a gente ainda vê o livro de Bruno, sobre o Chopin, filmado e produzido pelas lentes carinhosas de André? Um La dolce vita made in Copa.

Paris é o cenário perfeito para casais clássicos e românticos, como eles. Este ano, durante a temporada anual na Europa, aproveitaram para assistir ao Festival de Cannes. A emoção foi forte na entrega da Palma de Ouro: ''Entramos no Palácio do Festival junto com o Paulo Coelho. Foi um acontecimento, quando o seu nome foi anunciado nos alto-falantes. Ficamos impressionados com o sucesso dele na França''.

Só Love

Bruno e André se respeitam como os casais de antigamente, que não poupam elogios um ao outro, e valorizam o papel de cada um dentro do funcionamento da casa. Ao ouvir um elogio ao arranjo de flores sobre a mesa, Bruno infla o peito, orgulhoso:

- Foi feito pelo André. Ele adora flores e gosta de criar os arranjos para a nossa casa.

A voz de André muda de tom, seu rosto se ilumina e ganha uma expressão de ternura e orgulho, quando fala do companheiro.

- Bruno é a pessoa mais carioca que eu já conheci. Ele adora samba. Sabe a letra de todos os sambas das grandes escolas. Ele fez a sua monografia de formatura da faculdade no barracão de uma escola de samba. Além disso, é um apaixonado pelo Rio. Para ele, a cidade está acima de tudo.

A preocupação social é uma constante na vida de los muchachos: ''Nós somos brasileiros e estamos atentos à realidade do nosso país. Ajudamos o Lar da Narcisa, uma instituição de caridade. Além disso, mantemos uma escola de ginástica olímpica no Clube Piraquê, na Lagoa, que tem o objetivo de formar novos atletas. E patrocinamos uma escolinha de futebol para meninos carentes na Praia de Copacabana, oferecendo material esportivo e uniformes. O time chama-se Bruno Chateubriand e tenho muito orgulho daquelas crianças''.

Mas, acima de tudo, mais glamouroso que Paris, mais tradicional que os Gracie, mais divertido que a Disney, mais cosmopolita que Los Angeles, mais possante que o falecido Concorde, mais alto que o Empire State Building e mais animado que o Edifício Chopin são o carinho, o amor e a cumplicidade com que se tratam. Afinal, só o amor constrói.


[30/NOV/2003]


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