Expansão imobiliária da Barra deixa obras paralisadas e abandonadas, que despertam a cobiça de aproveitadores
A recente invasão à torre Abraham Lincoln, no condomínio Athaydeville, chamou atenção para um problema em potencial do bairro: o risco de novas ocupações. Em plena expansão, o que não falta à Barra são obras, algumas delas abandonadas. Entre os pontos vulneráveis, citados por lideranças do bairro, estão três prédios inacabados no fim da Rua Coronel Paulo Malta, o esqueleto de um imóvel de Sergio Naya e a estrutura que abrigava o Colégio Veiga de Almeida - estes dois últimos na Avenida das Américas.
- Para evitar esse tipo de invasão, a melhor solução é a união dos proprietários. Juntos eles têm mais força para entrar na Justiça e conseguir acabar a obra - sugere José Luiz Antunes, diretor do Barralerta.
A sugestão já está sendo praticada por 360 pessoas. Proprietários de unidades em três prédios negociados pela Encol, eles lutaram nove anos na Justiça e conseguiram uma decisão favorável do Superior Tribunal de Justiça, transitada e julgada, dando a eles o direito de tocarem as obras.
Unidos em uma associação, estes proprietários realizaram uma licitação e contrataram a construtora mineira Aterpa. Os canteiros de obras dos terrenos já estão sendo limpos e a previsão da empresa é finalizar as unidades em 24 meses.
- Os prédios eram da Encol e os proprietários conseguiram tomar as rédeas. As obras ficaram paradas por nove anos, mas agora serão entregues dentro do prazo. Ao todo são 792 unidades, e as que ainda não foram negociadas serão colocadas à venda pela Aterpa - explica Marcos Marquez, gerente executivo da construtora, que reforçou a segurança nos terrenos:
- Estamos praticamente na mesma rua que a da torre invadida. No mesmo dia da ocupação, a construtora reforçou a segurança com 15 homens - conta Marquez.
O reforço na segurança também foi providenciado na torre Abraham Lincoln pela Desenvolvimento Engenharia. O objetivo é evitar que nova invasão paralise mais uma vez as obras, que continuam mesmo sem que a empresa tenha autorização para funcionar.
Diretor da Associação de Moradores do Parque Lúcio Costa, Azaury Alencastro Júnior começou um movimento para reunir os proprietários de imóveis da torre inacabada para tentar ajudá-los a conseguir o controle da obra na Justiça.
- Acredito que a solução só virá quando Município, Estado e Governo federal se unirem em uma única política de habitação. Enquanto isso não acontece, a gente tem que tentar resolver os problemas de alguma forma. A torre e os outros prédios abandonados desvalorizam os outros imóveis da vizinhança. Por isso, precisamos acabar com essa prática o quanto antes.