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Um sonho erguido em pesadelo

Unidos em comissão, mutuários da Encol na Barra reiniciam obra abandonada por construtora que faliu

Renata Domingues

Guilherme Gonçalves

'Esqueleto' erguido pela Encol vai abrigar unidades habitacionais construídas através da administração dos proprietários

Quase uma década depois de anunciada a falência da construtora Encol, vai chegando ao fim um dos tristes capítulos de uma novela marcada por obras paralisadas e consumidores prejudicados. Pelo menos para os proprietários dos condomínios Villa Borghese e San Filippo, na Barra, o pesadelo está se transformando no sonho da casa própria.

Após obter da Caixa Econômica Federal um financiamento de R$ 120 milhões para a retomada da construção, a comissão de obras dos dois condomínios reiniciou, no último dia 25, as obras de suas três torres, que ocupam terrenos na rua Coronel Paulo Malta Resende e na Av. Evandro Lins e Silva.

- Graças a Deus, nossa luta foi de glória. Conseguimos retomar as obras com total independência da Encol. Tanto que adquirimos financiamento na Caixa - comemora o diretor-presidente da comissão de obras, Antonio Netto.

A luta dos proprietários para retomar as obras foi longa. Desde o momento em que a Encol pediu concordata, eles começaram a se mobilizar. Mesmo assim, foi somente depois de uma longa briga na Justiça, entre 1997 e 2002, que os futuros moradores, juntamente com a construtora Cláudio Macário - proprietária dos dois terrenos -, conseguiram rescindir seus contratos com a empresa falida.

- Entrei nessa luta por causa dos meus filhos, que tinham comprado três apartamentos. Mas não imaginava que as pendengas jurídicas iriam nos tomar tanto tempo. O que analisei como engenheiro foi o fato de que o valor das unidades não vendidas somado ao saldo devedor dos apartamentos financiados era suficiente para custear as obras - explica Netto.

A comissão de obras manteve com a proprietária dos terrenos a mesma política negociada pela Encol: ofereceu 200, do total de 792 apartamentos, em troca dos terrenos. Segunda a comissão, todos os 22 empreendimentos que a Encol abandonou no Rio eram construções irregulares:

- As obras desses prédios estavam totalmente ilegais. A Encol não tinha licença nem memorial de incorporação - diz o diretor-tesoureiro da comissão, Ulisses Monteiro.

Durante todo o período de brigas judiciais, os proprietários tiveram que arcar com as reformas de recuperação e manutenção da estrutura dos prédios. A taxa de R$ 193, paga mensalmente pelos condôminos, também foi utilizada para regularizar as licenças, pagar os impostos, refazer as plantas e construir mais dois andares em cada torre.

- Não podíamos começar uma obra sem ter prazo previsto para finalizá-la. Por isso, só começamos a reconstrução depois que o financiamento foi liberado. Mesmo assim, fizemos reformas durante todo esse tempo. Na época em que a Encol abandonou a construção dos prédios, o Edifício San Filippo, o mais avançado nas obras, tinha somente sete andares - lembra Roberto Hely Barchilón, um dos advogados da comissão de obras.


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[19/AGO/2004]


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