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Na trilha do mestre
Maestro relê arranjos de Gnattali para a 'Sinfonia do Rio'
Bianca Tinoco
[26/JAN/2006]
Em pleno ano do centenário de Radamés Gnattali, reorquestrar uma obra em que ele pôs a mão pode ser uma tremenda armadilha. Ainda mais quando a obra em questão é a Sinfonia do Rio de Janeiro, composição de Tom Jobim e Billy Blanco gravada com arranjos de Gnattali em 1954, pela Continental, e até hoje nunca apresentada com outra partitura. Até hoje. O público que prestigiará hoje o espetáculo em homenagem a Billy Blanco na Sala Cecília Meireles, já com lotação esgotada, verá uma Sinfonia do Rio que parece, mas não é mais a de Radamés. Convidado por Blanco para atualizar a orquestração da obra, o maestro carioca Gilson Peranzzetta a ampliou de 15 para 30 minutos e regerá hoje 47 instrumentistas, mais que o dobro da formação original.
- Compus tudo de novo, me debruçando sobre os arranjos de Radamés, uma aula de orquestração. Só modernizei a sonoridade da obra, típica dos anos 50 - diz Peranzzetta.
O maestro manteve intactos apenas os temas cantados da sinfonia, clássicos do período pré-bossa nova como Hino ao sol, Descendo o morro e A montanha, o sol e o mar (Sinfonia em tempo de samba). No espetáculo, cuja primeira parte será dedicada aos sucessos de Billy Blanco, a sinfonia ganhará as vozes de Dóris Monteiro, Elza Soares, Joyce, Leila Pinheiro, Pery Ribeiro e Zé Renato. O espetáculo será registrado para lançamento em CD e DVD, com direção artística é de Haroldo Costa e a geral do crítico Ricardo Cravo Albin.
Em duas frases, o homenageado Billy Blanco resume sua aprovação à nova sinfonia.
- O arranjo ficou perfeito. Radamés iria aplaudir - diz.
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