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Memória: Noel Rosa


Luís Pimentel

Noel de Medeiros Rosa, da Vila e do mundo, nasceu em 1910, em 11 de dezembro. Se tivesse conseguido driblar o sereno e o conhaque teria feito ontem 95 aninhos. Viveu apenas 27, mas deixou mais de duas centenas de músicas, todas com uma qualidade jamais questionada. O autor de Pra que mentir?, O orvalho vem caindo e Feitio de oração veio ao mundo marcado pelo fórceps que lhe fraturou a afundou o maxilar inferior. Carioca, nasceu na Rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel, filho de um gerente de loja de roupas e de uma dona de casa. Noel teve infância de menino classe média e chegou à faculdade de medicina. Chegou, mas não ficou. O samba (que não se aprende no colégio) falou mais alto. A medicina perdeu um doutor, mas a música brasileira ganhou seu mais inspirado compositor.

A primeira música, gravada em 1928, era uma valsa e chamava-se Ingênua. Dois anos depois estourou com a irreverente Com que roupa? . Em 1931, ainda tentando conciliar as atividades de estudante de medicina com as de boêmio e namorador inveterado, gravou mais de 20 músicas e viu seu nome consagrado, sobretudo por conta da divertida Gago apaixonado. Daí em diante, era Noel Rosa, o poetaço da Vila.

Mas, numa época em que uma simples tuberculose matava, o poeta bebeu muito sereno e descuidou do peito. Tentou salvar os pulmões em inúmeros recantos de recuperação, mas não conseguiu. O coração mais inspirado que já bateu na Vila fez silêncio no dia 4 de maio de 1937, na casa dos pais, na mesma Teodoro da Silva, queixando-se de um frio insuportável, suando muito e tendo arrepios tenebrosos.


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[12/DEZ/2005]


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