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Filhos do diretor atuam em 'Oliver Twist'


Morgane, de 13 anos, e Elvis, de 7 anos, os filhos de Polanski com Emmanuelle, não só ganharam um filme para menores do pai como fazem pequenas participações na trama, como extras. Morgane é a garota que aparece à porta da pousada em que Oliver (interpretado pelo novato Barney Clark) entra para pedir comida; Elvis é um menino de classe média que perde seu brinquedo para o bando de moleques arregimentados pelo sinistro Fagin (Ben Kingsley, em atuação que está gerando rumores sobre indicação ao Oscar).

- Meus filhos costumavam me ver no set, mas não podia aproveitar o resultado do meu trabalho. A participação deles no filme é um suvenir - diz o pai coruja.

Oliver Twist é o filme mais caro da carreira de Polanski. Custou cerca de US$ 87 milhões, contra os US$ 35 milhões gastos em O pianista. A maior parte do orçamento foi gasta com a reconstrução de quarteirões inteiros da Londres do início da Revolução Industrial em terrenos nos arredores de Praga, na República Tcheca. Mais do que um mimo para os próprios filhos, Polanski quis fazer um filme que recuperasse o cinema de emoções, sem artifícios sensoriais.

- Quando levo meus filhos ao cinema, não consigo ficar mais do que dez minutos na sala. Queria fazer um filme para a platéia jovem que não tivesse espadas laser, explosões, efeitos sonoros e visuais espetaculares. A juventude hoje em dia está acostumada a consumir uma fórmula específica de cinema, de gosto massificado. É como comer no McDonald's ou no Pizza Hutt. Eles não conseguem comer nada que não tenha ketchup. Meu desejo era fazer um filme sem ketchup e, para isso, é preciso brigar muito. Nesse sentido, eu me considero um Don Quixote - observa o diretor.

Apesar do sacarmo e das ironias de Dickens, Oliver Twist fez gerações se debulharem em lágrimas. A versão de Polanski elimina os excessos dramáticos, embora não se afaste do espírito da obra original.

- Era tempo de fazer uma nova versão de Oliver Twist. Evitei todos os sentimentos melodramáticos característicos da literatura do século 19, que são intragáveis atualmente. O livro tem muitas sub-tramas, está cheio de meandros envolvendo diversos outros personagens, a narrativa vai e vem no tempo. Isto se deveu, principalmente, ao fato de os escritores daquela época escreverem em capítulos semanais ou mensais, para revistas. Era como uma seriado de TV. O nosso roteiro se concentra nas aventuras vividas pelo personagem central - descreve o diretor.

Segundo Polanski, a história de Oliver Twist continua atual porque a infância desassistida é um fenômeno comum a todas as cidades grandes que cresceram desordenadamente, inchadas pelo fenômeno da migração, como Londres, Hong Kong ou Rio de Janeiro. E o cineasta fala da situação brasileira com a experiência de quem visita regularmente o país desde 1965, quando veio participar do antigo Festival Internacional do Rio. A última vez foi no Festival do Rio de 2003, quando exibiu O pianista.

- Lembro que na primeira vez que fui ao Rio fiquei impressionado com o bom humor das pessoas. Era uma cidade mais simples, mas com uma população alegre, independente da classe social. Agora, cada vez que volto ao Rio, vejo que a cidade está ficando mais rica, mas as pessoas menos felizes - analisa o diretor.


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[09/NOV/2005]


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