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Livro: Sabedoria não é lenda
Contos árabes mostram que no Oriente só escreve quem tem o que dizer
Um mergulho no pensamento e na cultura do povo árabe é o que oferece o livro Contos árabes - Os clássicos, quarto volume de uma coleção da Ediouro que já lançou contos russos, ingleses e americanos. Na cultura árabe, para cada momento da vida, para cada sentimento existe uma fábula, uma lenda, um conto, que são passados de geração a geração pelos indispensáveis contadores de história. Na literatura resultante desse atavismo cultural, o que se vislumbra é um mundo místico e mítico, habitado por deuses e seres extraordinários, que oferecem reflexão e conhecimento à realidade concreta da vida cotidiana. O livro é um apanhado do que há de mais representativo e curioso nesse universo literário: lendas, fábulas e histórias curtas de escritores como o libanês Gibran Khalil Gibran, o egípcio Mohammed al-Mouwailihi, o iraquiano Al-Maçudi e o marroquino Ahmed Sefrioui, além de historietas compiladas do clássico As mil e uma noites.
Se no Ocidente o ato de escrever está associado ao comércio de livros e à vaidade intelectual, na cultura árabe só se escreve o conto se, por trás daquela história, existir efetivamente uma sabedoria. Escrever, na cultura árabe, é algo que está diretamente ligado à filosofia, ao acréscimo de conhecimento para o leitor. Ou seja, é preciso ter algo a dizer para se escrever. O leitor fica sabendo dessas idiossincrasias ao ler a introdução do livro, um ensaio escrito pelo tradutor e pesquisador Jamil Almansur Haddad, que faz uma esclarecedora explanação do contexto histórico e cultural em que se situa a literatura dessa região tão longínqua. A reunião de tão admiráveis obras literárias, mais a introdução de Jamil A. Haddad faz do livro Contos árabes um tesouro para os amantes da arte de escrever e para os admiradores dos mistérios que vêm do Oriente. (Waldir Leite)
[11/OUT/2005]
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