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Onda de notícias
Formato de jornalismo 24 horas nas rádios FM explorado pelas concorrentes Bandnews e CBN se consolida com a transmissão dos desdobramentos da crise política no país
Monique Cardoso
A chegada de emissoras de rádios que obedecem ao formato all news no modo de transmissão FM tem possibilitado ao carioca permanecer mais atualizado. Com tantas reviravoltas diárias na política brasileira, os depoimentos nas CPIs passaram a ser acompanhados mesmo por quem não faz questão de estar tão informado. A primeira emissora de rádio a aproveitar o filão do modelo de informação 24 horas em freqüência modulada foi a Rede Bandnews, que iniciou atividades em 20 de maio, no Rio e em mais quatro capitais. A Rádio CBN, que domina o formato há 15 anos em AM, sofreu o peso da concorrência no estado e há quase dois meses entrou na disputa pelo público interessado em jornalismo nas FMs.
- Parece Copa do Mundo. Todo passageiro que eu pego quer ouvir notícias sobre o mensalão. A audiência no rádio deve ter aumentado, principalmente agora com noticiário ininterrupto em FM. No rádio do carro, há ruas em que a AM pega muito mal, ou não pega - comenta o taxista René Bastos, que circula entre Centro e Zona Sul.
Sidney Rezende, âncora da Rádio CBN Rio desde a inauguração, é um dos precursores do formato all news. Antes de ser contratado pelo Sistema Globo de Rádio, apresentava um programa diário na extinta Panorama FM, em 1990, só com notícias. Assim como Carlos Nascimento, principal voz da Rede Bandnews, Rezende tem o rosto conhecido - fato incomum no rádio - porque apresenta o telejornal Bom dia Rio, da TV Globo.
- As pessoas me param na rua por causa da imagem na TV, mas sempre se remetem a mim por meu trabalho no rádio. Antes de a CBN ir para FM recebia 150 mensagens por dia. Agora são 750 - diz o jornalista.
A CBN informou que a emissora apresentou um crescimento de 14,6% em audiência. O pico de ouvintes também cresceu, passando a ser de 49 mil nas duas freqüências - 13 mil a mais que na pesquisa anterior. No rádio, o ibope não é conferido eletronicamente, como na TV. A audiência é medida por recall, entrevistas trimestrais feitas por pesquisadores. A Bandnews não está incluída isoladamente na última pesquisa (divulgada em 8 de agosto e referente ao período que vai de 1º de maio a 31 de julho), que ainda traz dados das emissoras que ocupavam o espaço no dial antes da rede entrar no ar.
O perfil do ouvinte disputado tanto pela Bandnews quanto pela CBN é praticamente o mesmo. As duas emissoras falam para pessoas das classes A e B, acima de 25 ou 30 anos e economicamente ativas. Para se manterem antenadas com os fatos no país e no mundo, as emissoras precisam mais do que rapidez e isenção na hora de transmitir as notícias.
- Trazer a informação para a FM é, sem dúvida, um avanço. Ter duas emissoras all news competindo representa opção no dial para o ouvinte - afirma a jornalista e pesquisadora Ana Baum, professora de Radiojornalismo da Universidade Federal Fluminense.
Ana Baum acredita que a cobertura de fatos em andamento, como o caso mensalão, só ajuda a fortalecer o formato de informação 24 horas. Entretanto, reitera que o público é muito específico e elitizado e bem menor do que o das rádios populares e musicais.
- O passageiro raramente pede para ouvir notícias. Se eu já estiver ouvindo, há os que prestam atenção e comentam, mas também há aqueles que pedem para trocar de emissora ou desligar - conta Paulo Araújo Veiga, também motorista de táxi.
A pesquisadora esclarece que a diferença entre AM e FM está na qualidade da transmissão. O modo amplitude modulada atinge uma área maior, enquanto a freqüência modulada transmite para uma área menor, mas com som mais limpo. Ela acredita que o público para o formato all news é fiel ao formato, não ameaçando outras rádios em FM.
- É mais fácil e barato para as empresas investirem em música e entretenimento. A CBN monopolizava o mercado de notícias. Com a chegada da Bandnews entre as FMs, também viu necessidade de ocupar este espaço.
[24/AGO/2005]
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