E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Especiais

Dez anos sem Tom Jobim
Fashion Rio 2004
Chico Buarque
Festival do Rio

Colunistas

Carreira bem-construída


Não foi fácil construir uma carreira tão bem-sucedida. Depois do hit Anna Julia, presente em Los Hermanos, o primeiro disco (que vendeu 300 mil cópias, três vezes mais que Ventura, o segundo mais vendido), os Hermanos foram postos na geladeira pela já extinta gravadora Abril Music, que não gostou das misturas do trabalho seguinte, Bloco do eu sozinho. Também foi duro convencer as rádios de rock de que suas músicas poderiam entrar no dial, o que só aconteceu graças à pressão dos fãs.

- Eu me lembro do primeiro embate com o mercado, no primeiro disco, quando não quisemos estar na capa do CD, o que era considerado um absurdo. Algumas vezes nos demos mal por fazer isso, mas hoje temos uma independência. Se a coisa começasse a ficar muito diferente do que somos, não suportaríamos - avalia Bruno Medina.

Conquistado o prestígio, foi natural fazerem um disco como 4 - que será lançado no Rio dia 11 de setembro, no Claro Hall.

- A gente não se prende em amarra nenhuma, e sabem disso - diz Bruno.

Os arranjos, por exemplo, são mais econômicos do que nos dois últimos CDs, o que ressaltou o trabalho dos músicos.

- Enxergo muito o Bruno e o Barba neste disco. Porque as minhas músicas estão muito mais distintas das do Amarante do que acontecia em discos anteriores. Então, é pelas mãos deles que o disco se costura. A unidade está nos dois - diz Marcelo Camelo, que afirma estar feliz com o resultado: - Acho um disco bonito.

Mais à frente, Amarante exprime o misto de alívio, felicidade e frustração que os integrantes sentem com o lançamento:

- Quando se olha para o retrato, você já não é aquele que foi retratado. Isso inclui algo de insatisfação e de autocrítica. Por isso a resposta não é ''sim, estamos satisfeitos''.

Camelo emenda:

- Queremos fazer outro.

Assim como Ventura, o novo disco não traz parcerias de Amarante e Camelo - foram apenas três, ao longo de toda a carreira.

- A parceria é uma exceção no nosso trabalho. Já fiz parcerias fora da banda, com Erasmo Carlos (Romeu e Julieta) e com George Israel (Chão de jardim), mas foram experiências muito particulares. Não sei se as gravaria num disco meu - diz Camelo.

Autor de duas músicas gravadas pela cantora Maria Rita - que fizeram dele um compositor badalado -, Camelo explica que as músicas que não se encaixam no perfil da banda são as disponíveis para outros artistas. Amarante brinca:

- Marcelo não é exclusivo de ninguém!

Camelo ressalta que apesar de o samba Cara valente, gravado por Maria Rita, ter sido considerado inadequado para a banda segundo seus membros, os Hermanos podem sim tocar samba:

- Fez-se mar (presente em 4) é um samba.

O flerte com a MPB fez com que surgissem comparações com gente como Chico Buarque. Grupos claramente influenciados pelos Hermanos, como Ramirez e Gram, mostram que um novo rock surge no Brasil, de harmonias mais diversificadas. A banda evita encher o peito e autoproclamar a descoberta da pólvora, mas tem noção do poder de alcance da hermanomania, como mostram as palavras de Amarante:

- Não nos sentimos como a nova música brasileira. Mas claro que percebo que influenciamos a vida de muitas pessoas que amam o que a gente faz.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[29/JUL/2005]


   Home > Caderno B


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas |Internet |Caderno B |Ciência | Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem |Carro & Moto | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas