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Música para quem quiser ouvir

Com quarto disco na praça, Los Hermanos dizem que não compõem nem para críticos nem para fãs

João Bernardo Caldeira

Sergio Jr.
Los Hermanos: Amarante (E), Barba, Bruno Medina e Camelo (à frente) lançam ‘Los Hermanos 4’. A cultuada banda tem 150 comunidades no Orkut

Los Hermanos: Amarante (E), Barba, Bruno Medina e Camelo (à frente) lançam ‘Los Hermanos 4’. A cultuada banda tem 150 comunidades no Orkut

Não há banda nacional que tenha conquistado, no passado recente, maior prestígio que os Los Hermanos. Jornalistas, fãs e gente do meio musical, como Caetano Veloso, fazem parte da legião de admiradores. É por isso que, a partir de hoje, as 40 mil unidades prensadas de Los Hermanos 4 (Sony-BMG), o quarto disco da banda carioca, serão disputadas a tapa. A circulação na internet de duas faixas do CD, que já vinham sendo tocadas nos shows, também agitou a hermanomania, que não pára de crescer: já chega a 150 o número de comunidades no Orkut relacionadas ao grupo. As rádios que se virem para encaixar na programação músicas que não entram na prateleira do rock, do pop, do samba, ou da MPB. Porque os fãs vão ligar, gritar, espernear, e ai de quem não ceder.

Sentados numa mesa do restaurante Aurora, em Botafogo, Rodrigo Barba (bateria), Bruno Medina (teclado), Rodrigo Amarante (vocal e guitarra) e Marcelo Camelo (vocal e guitarra) passam uma imagem de alheamento a tudo isso, ou pelo menos procuram não se deixar contaminar por tamanha expectativa. Bruno e Amarante comentam o tema. São os que mais falam, enquanto Camelo passa os primeiros 15 minutos da entrevista calado, com Barba intervindo poucas vezes.

– Pressão só acontece se você se pautar por essa expectativa – diz Amarante.

Quem sabe motivados pela espera ansiosa dos fãs, Los Hermanos 4 abandona características marcantes de Ventura, o CD anterior, como o uso ostensivo de metais. Mas eles não têm medo de que as sucessivas mudanças e misturas de estilos ao longo da carreira, que soma oito anos, desagrade quem já se acostumou com a sonoridade anterior.

– A gente não faz música para crítico, nem para fã, nem para ninguém. A gente faz música para quem quiser ouvir – diz Amarante.

– E isso nos permite dar guinadas dentro da trajetória. Não temos nenhum compromisso com um sentido anterior – completa Bruno.

Mais tarde, o tema volta à mesa e Camelo, refeito graças a uma farta porção de gurjões de peixe, explica o lema dos Hermanos, que tanto faz críticos e radialistas perderem a cabeça:

– É difícil estabelecer um norte para nós todos. E não há liderança dentro da banda, então a gente vai indo e fazendo conforme acha bonito. Acho que temos um senso crítico muito acirrado. Quando olhamos para o que já fizemos, dá vontade de nadar para outro lugar.


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[29/JUL/2005]


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