O sacerdócio fez de Boldrin um caçador de talentos do interior. No começo, ele teve muito trabalho. Hoje, recebe discos de todo o país. Na época do
Som Brasil, ouvia de 100 a 150 fitas cassete por semana. No momento da entrevista, ele se preparava para ouvir o que lhe chegou em dois dias, 80 CDs.
- É um trabalho enorme, mas é o meu grande prazer, porque cada vez que escuto isso tudo redescubro o Brasil.
A posição de Boldrin a respeito do sertanejo atual rivaliza com uma constatação estatística. Essa música que ele diz não ser brasileira (embora deixe claro que seja feita por músicos de qualidade) é consumida pela maior parte dos ouvidos do país. Será que o Brasil quer ouvir esse Brasil de Boldrin?
- O povo está ávido por música brasileira de fato. Vou a Goiás, que é a terra de boa parte desses artistas da nova geração, e as pessoas mostram um interesse enorme pela música tradicional nacional. É um mito dizer que o público prefere o dito ''sertanejo''.
E crava uma estocada a mais nos megavendedores de disco que deram nova cara à música sertaneja:
- O [autor teatral santista]Plínio Marcos dizia: ''Não tem tu vai tu mesmo''. É um pouco assim que o mercado se comporta hoje. Mas se você oferecer ao público a música verdadeiramente brasileira, ele fica muito feliz - diz, sugerindo que os artistas sertanejos contemporâneos - como Chitãozinho e Xororó ou Leonardo - sigam a trilha da música romântica latina, e não a da música tradicional do interior.