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Antônio Torres: Aos novos autores


Não fiquem tristes não, garotos. O futuro lhes pertence. Vocês têm muito chão pela frente, ora se têm. Mãos à obra. Isso requer disciplina - sabem disso, não sabem? -, ''silêncio, exílio e astúcia'' (copyright para James Joyce), paciência e sorte. Sim, a sorte de vir a viver num país melhor do que este em que batalha-mos, quando o Brasil da maturidade de vocês já estará plenamente alfabetizado, com uma biblioteca digna desse nome em cada bairro de suas capitais, em cada um de seus municípios de médio e pequeno portes, e mais livrarias do que a cidade de Buenos Aires.

Essas conquistas certamente terão sido possíveis graças à erradicação da corrupção, à moralização do processo eleitoral, dos usos e abusos dos políticos e de todo um sistema que lhes dá suporte. Muito se terá avançado até lá, em bom sentido, pelas vias econômicas, sociais e culturais, para que ninguém se horrorize mais com os contrastes assustadores que vemos hoje, inaceitáveis para uma nação que se quer desenvolvida. E civilizada. Avante, camaradas! Imbuídos com as divinas promessas da esperança, apregoadas desde o século 19.

Tais considerações vêm a propósito da coluna de 10/5, intitulada Esses debates , com a intenção de esquentar as discussões acadêmicas que vêm sendo promovidas pelos cadernos literários, tendo como pano de fundo os textos & posturas dos novos autores. Senti no ar o cheiro do descontentamento. Nada contra vocês, queridos. Há muita gente boa pintando no pedaço, aqui no Rio, sem dúvida. Nem falo da premiada Adriana Lisboa, nem do João Paulo Cuenca, que já ultrapassaram a fita de largada. Mas de um Marcelo Moutinho, um Mariel Reis, um Henrique Rodrigues - basta ler o simpático Prosas cariocas para arriscar uma aposta neles. Neste livro o leitor poderá se surpreender também com um conto da Bianca Ramoneda, que apresenta uma visão sensível das diferenças entre os interiores da Zona Norte e os exteriores da Zona Sul.

Agora, vocês não acham esquisito um jovem autor paulista dizer na TV que não lê livro algum? Ou aqueles que se apresentam como se estivessem inventado a roda, a pólvora e a bússola? Que há muito disso por aí, há. Ou é só em São Paulo, aquele país até amigo? O verdadeiro debate, porém, devia começar com o que me disse o Mauro Pinheiro (escritor novo, e dos melhores): ''Os jovens não estão nos lendo.'' Por quê? Fica aqui a sugestão de pauta.


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[25/MAI/2005]


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