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Os frutos dos riscos
[21/MAI/2005]
O autor da pergunta foi Artur Barrio, um dos expoentes dos anos 70 e um dos artistas com o maior número de obras (cerca de 400) integrando a coleção. Quem reproduz a conversa é Ernesto Neto, outro nome de peso surgido no cenário em 1988, e com ''duas ou três esculturas'' presentes no patrimônio artístico do colecionador. Ele diz que Chateaubriand é um exemplo a ser seguido.
- O colecionador tem grande importância cultural. É ele quem vai cuidar da obra do artista.
Quem responde a pergunta de Barrio é Paula Moraes, da dupla emergente paulagabriela (junto e com minúscula). As artistas têm três séries de fotos na coleção:
- Sem ele nada seria como agora.
Para o curador do MAM, Fernando Cocchiarale, da década de 50 até hoje, Gilberto foi o mercado de muitos artistas iniciantes ou em ascensão. Investir em nomes ainda não consagrados envolve altos riscos.
-Exatamente por isso ele colheu os frutos na mesma proporção dos riscos. Gilberto tem a mais plural coleção já constituída no gênero, com algumas das principais obras-primas da arte brasileira - reverencia Cocchiarale.
Ter obras na coleção é up-grade na carreira dos iniciantes e ponto no currículo do artista. O pintor Chico Cunha, saído da geração 80, tem três telas e seis desenhos na coleção sob a guarda do MAM. Ele diz que se não fosse pela atuação do colecionador, muitas obras fundamentais na história da arte do modernismo para cá estariam longe do país.
- Já pensou quantos ''abapurus'' estariam inacessíveis aos brasileiros? Um aspecto importante da coleção é saber que a obra não ficou perdida por aí. Está em boas mãos - acrescenta Chico.
O também artista plástico e professor do Parque Lage Luiz Ernesto é outro que atesta a importância de ter um trabalho na coleção de Gilberto.
- Legitima sua obra. Ele comprou dois trabalhos meus de uma série muito difícil que havia vendido pouco. Depois disso, as obras foram vistas em muitos lugares, o que ajudou a projetar meu trabalho - reforça Luiz Ernesto.
Ser aprovado pelo olhar criterioso de Gilberto não representa apenas aval para a carreira e reforço para o bolso quase sempre combalido de muitos artistas no país. Representa ainda o contato com o público do MAM, o mais importante espaço de arte do Rio. E muitas vezes é uma ponte para o circuito mundial.
- Se não fossem as relações dele com o MoMA de Nova York ou a Fundação Cartier de Paris, a arte brasileira estaria bem menos representada lá fora - diz Reynaldo Roels.
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