Desde que o samba é choro

Shows, lançamentos de discos e filmes movimentam semana que antecipa o Dia Nacional do Choro

Luís Pimentel

[18/ABR/2005]

Desde que o samba é samba, o choro é choro. A desnecessária discussão sobre quem nasceu primeiro, assunto para quem é ruim da cabeça ou tem tempo a perder, estará ausente da agenda musical de cariocas e fluminenses - eternos curtidores dos dois gêneros - durante toda esta semana. O Dia Nacional do Samba, em 2 de dezembro, que começou a ser festejado antes, enche anualmente vagões de trens da Central para o destino certo e parada obrigatória em Oswaldo Cruz. O Dia Nacional do Choro, em 23 de abril, também tem merecido comemorações imperdíveis e este ano não será diferente, lotando palcos e preparando a apoteose para o baile anos dourados do rancho Flor do Sereno.

A data foi escolhida para coincidir com o aniversário do maior nome brasileiro entre os chorões, Alfredo da Rocha Viana Filho, o ''inconteste'' - definição de Chico Buarque - Pixinguinha (1897-1973). Por uma feliz coincidência, vem a ser também o dia de nascimento do compositor Geraldo Pereira (1918-1955), compositor de sambas (Falsa baiana, Escurinho, Bolinha de papel, Sem compromisso etc). Desde que o samba é choro é assim. A programação dedicada ao choro, em diversos locais, vai até sábado. Mas vale lembrar que até o final de abril ainda fazem ou fariam aniversário o chorão Patápio Silva (dia 24), o sambista Paulo Vanzolini (25), os chorões-sambistas Maurício Carrilho e Jair do Cavaquinho (26), o autor de sambas, choros e de tudo o que se imagine Paulo César Pinheiro (28) e o acima de qualquer nota e qualquer tempo, buda-nagô Dorival Caymmi (30). Nota destoante: num final de abril (dia 27), perdemos em 1995 um gênio dos dois gêneros, o violonista Raphael Rabello.

Os chorões começam a se espalhar hoje, no Rio e em Niterói (ver reportagem ao lado). O Arte Sesc Flamengo (Rua Marquês de Abrantes, 99) inaugura oficialmente a programação, a partir das 19h, com o lançamento do CD Zé Menezes - Autoral (Regional de Choro), do Zé Menezes Quinteto. O veterano Zé Menezes, cearense de Juazeiro do Norte que fala de igual para igual com viola, violão, violão tenor, guitarra, banjo, cavaquinho e bandolim, é um clássico do choro e referência para a nova geração de instrumentistas. A noitada do Sesc promete ainda homenagens a músicos como os talentosíssimos jovens do grupo Tira Poeira e o multipercussionista Jorginho do Pandeiro, fera do instrumento desde o conjunto Época de Ouro. O Zé Menezes Quinteto, que estará na batuta dos acontecimentos, é formado pela fina flor da música instrumental: Marcelo Gonçalves (violão de 7 cordas), Lê Matos (cavaquinho), Beto Cazes (percussão), Nicolas Krassik (violino) e o próprio mentor do grupo, tocando violão de 6, violão tenor e bandolim.

Copyright © 1995, 2000, Jornal do Brasil. É proibida a reprodução
total ou parcial do conteúdo do JB Online para fins comerciais

http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernob/2005/04/17/jorcab20050417001.html