E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Especiais

Dez anos sem Tom Jobim
Fashion Rio 2004
Chico Buarque
Festival do Rio

Colunistas

No topo do mundo

No megalançamento de seu novo romance, 'O Zahir', Paulo Coelho diz que quer ficar onde está

Alexandre Werneck

Divulgação
Coelho, em uma montanha no Cazaquistão

Coelho, em uma montanha no Cazaquistão, para onde vai a personagem de seu 10º romance e aonde ele foi estudar para escrever o livro

A cada lançamento de um livro do carioca Paulo Coelho, 58 anos, um enorme circo de mídia é montado. ''Maior vendedor de livros no mundo em 2003'' e ''autor brasileiro que mais vendeu livros na história'', como os textos de divulgação estão repetindo, Coelho é uma das poucas personalidades capazes de emplacar ao mesmo tempo as capas de Veja, Isto É e Época, as três grandes revistas semanais brasileiras. Hoje, deve ser capa também de alguns cadernos de cultura nacionais, a julgar pelas nove entrevistas dadas ontem (esta entre elas) e das nove hoje (o Brasil é o único país para o qual ele está dando mais do que duas entrevistas, exigência dele).

Pois bem, Coelho está lançando (pela Rocco) O Zahir, seu décimo romance, em uma primeira edição sem precedentes na história mundial: de 320 mil exemplares. Só no Brasil! Espera-se que venda 1 milhão de livros por aqui, em várias edições. Ao todo, em 36 línguas em 60 países, a primeira edição, igualmente incomparável, é de 8 milhões de exemplares. Criticado por muitos, Paulo conseguiu até ser aceito entre os círculos mais sisudos da Academia Brasileira de Letras e entrar para a casa, em 2002. Talvez falte a ele apenas o Nobel de Literatura. É impossível não proclamar: Paulo Coelho está sentado no topo do mundo.

- No topo do mundo venta muito. Você tem que estar muito bem ancorado em suas crenças e valores para seguir naquilo que lhe dá prazer e entusiasmo - diz ele, por telefone, de seu refúgio no vilarejo de Saint-Martin, próximo a Tarbes, nos Pirineus franceses.

A metáfora cabe-lhe como uma luva. Não só porque símbolos como esse são sua marca. Mas sobretudo porque ele se acostumou a ficar de pé diante de vendavais. Da crítica, que em geral não o leva a sério, ou da história, que o cerca e sopra forte, obrigando-o a posturas, como a que gerou seu texto mais lido até hoje, a carta de repúdio Obrigado, presidente Bush, vista na internet por 450 milhões de pessoas logo depois da invasão do Iraque. Os ventos ajudam a escrever. Fazem-no olhar para o interior.

- Um escritor é feito de escrever livros. O que eu procurei foi não me deixar paralisar pelo sucesso. O que quero agora é justificar minha vida fazendo aquilo que me julgo talhado para, que é escrever.

Pois foi de olhar para o interior que nasceram livros como O alquimista, Brida, Verônika decide morrer e O Zahir (a palavra, árabe, significa algo como ''idéia fixa''). O livro é uma história-espelho do escritor: conta a saga de... um escritor brasileiro de grande vendagem, cuja carreira nasceu de uma peregrinação a Santiago de Compostela. Todos sabem que esta é a biografia do próprio autor.

- Eu precisava fazer uma reflexão sobre a minha própria carreira. Poderia fazer aos 80 anos, mas não queria fazer um livro de memórias e sim ver quem sou agora e como estou cumprindo minha missão.

Sua missão parece ser a de se construir como escritor.

- De me construir, me destruir e me reconstruir novamente - completa, metafórico.

Como em vários romances contemporâneos, em O Zahir Coelho recorre ao mito da mulher que desaparece e do homem que mergulha em uma viagem em busca dela e, ao mesmo tempo, dele mesmo. O autor justifica o recurso ao clichê como inevitável:

- Só existem quatro histórias, como dizia Jorge Luis Borges: o amor entre duas pessoas, o amor envolvendo três pessoas, a busca pelo poder e uma viagem. Todo livro é sobre um desses quatro temas. Uma vez perguntaram a Paul McCartney se ele poderia resumir a mensagem dos Beatles em uma frase. Pensei que a pergunta era totalmente absurda. E o Paul McCartney, para minha surpresa, disse que podia: ''All you need is love'' (título de uma das canções mais importantes do grupo). É claro que tinha que escrever sobre o amor também.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[22/MAR/2005]


   Home > Caderno B


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas