Consegui perturbar M.S., encaixando no meio da conversa, à boa maneira kirkeergardiana, a suspeita de que tenho uma amante, F., e uma pretendente, L.B. É tudo verdade, mas só a ponta do iceberg. Deixei que ela imaginasse que F. vem sempre aqui me dar “comidinha sexual”, ela deve estar com esse problema na cabeça, não é possível que não fique enciumada ou ao menos dominada pela famosa curiosidade malsã.
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Momento crucial na minha procura por mulher. Na madrugada, R.G. foi ao banheiro. A segunda noite do nosso encontro, ela de volta de Paris onde vive há oito anos. Ela traz exemplares da revista Femme, na qual é programadora visual, para que eu veja uns artigos. Estamos com planos de criar no Brasil o Ministério da Mulher... Alguns dias antes, no Diagonal, ela fez um aviãozinho de papel, colocou sal em suas dobras e lançou-o sobre T.C., como quem suplica cocaína (...) Agora ela volta do banheiro e vai sentar-se com T.C., que é meu inimigo declarado. Na noite anterior, eu lhe expliquei exaustivamente que T.C. é um grande e irrecuperável sacana, e também falamos de um certo cavalheirismo masculino que vigora nos botequins. Agora, sentada com T.C., trocando beijinhos.
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E os boêmios? Ah! Os boêmios legítimos, por tradição indiferentes ao amanhã, coniventes com aquele clima de rosa que se estiola, telefonavam para as noivas que àquela hora dormiam e que acordavam assustadas para ouvir de seus noivos, entre gargalhadas, esta informação inquietante (ao menos para quem há pouco dormia):
– Você conhece a história do anjo exterminador? A história do filme do Luís Buñuel? Pois estamos aqui sitiados pelo anjo! Quem entrou aqui já não pode sair! Já não pode sair!
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Às 10 horas da noite ele entrou na primeira boate. Pediu uísque e ficou bebendo, ouvindo a música. Às 11 horas da noite foi para outro lugar. Encontrou alguns amigos, conversou, dançou com a mulher do próximo e mudou de bar. Nesse terceiro lugar havia novos amigos. Em toda parte, aliás, encontrava gente conhecida, chamava o garçom pelo nome e cumprimentava automaticamente todo casal que encontrava: era difícil não conhecer todo mundo, ao menos de vista. Amava a noite barulhenta, escura, lenta.
No Topinho estava a jovem loura, de pescoço magnífico! Mas chegou um rapaz e disse no ouvido dela: “Sabe quem está no Black Horse?” Ela perguntou: “Quem?” E ele: “O Baby Pignatari.” A moça saiu correndo para o Black Horse... Isso ele também conhecia: essas corridas das moças louras atrás dos homens ricos recentemente divorciados. “Boa sorte, pescoço magnífico”, disse ele, torcendo para ela ter sucesso em sua investida.