As expectativas sobre a Tijuca, vice-campeã do ano passado, eram grandes. E a escola surpreendeu, mais uma vez, com o que parece ter se tornado marca registrada do carnavalesco Paulo Barros: alegorias em que homens e mulheres são a atração principal, alternando coreografias com momentos em que todo mundo pára e se finge de peça de gesso ou isopor. Foi assim em 2004, com o carro do DNA, e no domingo, com o abre-alas do pavão - símbolo da escola - encenado por 247 componentes vestidos de branco que se agitavam, balançavam bandeiras e pompons, simulavam uma onda e depois congelavam, ovacionados.
As surpresas do enredo Entrou por um lado, saiu pelo outro... Quem quiser que invente outro começaram já na comissão de frente, com dom Quixote e Sancho Pança duelando com moinhos de onde escapavam personagens dos mundos fantásticos cantados pela escola.
Na fórmula da Tijuca, repetiu-se mais uma vez a capacidade de transformar materiais baratos em alegorias bem originais. O segundo carro, Oz, era revestido por milhares de panelas, frigideiras, conchas e escumadeiras que refletiam flashes pela avenida. A quarta alegoria, Castelo do Drácula, trouxe 50 caixões com vampiros coreografados que se projetavam para fora no trecho do samba Quando se abrem as portas do medo... - aplaudidíssimo.
O purgatório do quinto carro também encantou. Seminus, 150 homens e mulheres se fingiam de mortos, agonizavam e em seguida batiam palmas, acompanhados pelo público. Tudo, como explicou Paulo Barros, para contar o enredo.
- O elemento humano conta a história. Tem que usar de acordo com a mensagem que se quer passar, não pode ter gente no carro só pra ocupar espaço - ensina.
Diretor cultural da Liesa, Jorge Perlingeiro aprovou o desfile e lamentou um deslize que pode tirar pontos da escola do Borel. Segundo ele, o sexto carro, Planeta dos Macacos, emperrou em frente ao setor 1, enquanto a escola já ia lá pelo setor 3. A macacada teve que descer pra tapar o buraco na pista e, resolvido o problema, embarcou toda de novo.
A Tijuca conseguiu ser emocionante mesmo enfrentando a pedreira que é desfilar depois da avalanche verde e rosa da Mangueira na Sapucaí. Que o digam as lágrimas de Paulo Barros na dispersão:
- Se vamos brigar pelo título, sinceramente, não sei. O mais importante é ter feito tanta gente feliz esta noite.