Bezerra era meu amigo há 35 anos. Eu, Moreira da Silva e Bezerra fizemos juntos o disco Os Três Malandros, uma sátira em cima dos Três Tenores. Agora que já morreram o Moreira e o Bezerra, estou aqui bastante cabreiro! Ele era um cara sempre muito agradável, sarcástico, cheio de bom humor. É uma pena que tenha partido, porque só sobrou eu para fazer música de gozação. O resto só fala de amor. Eu e Bezerra somos cronistas sociais. Fiquei satisfeito que essa rapaziada, como o Marcelo D2, esteve regravando músicas do Bezerra. Os jovens também aderiram à sua música.
Dicró, sambista
Estou com o coração partido. Fizemos música juntos e das pessoas que conheci, Bezerra foi o que mais sabia de samba. Era um autêntico “da Silva”, um brasileiro.
Marcelo D2, rapper
Bezerra é um grande cantador da cultura popular. Deus é quem sabe, mas para nós é muito triste. Sempre fui fã dele. Ele fazia o samba que eu gosto, que fala das coisas do morro, do subúrbio, um samba popular, de malandro. Acho até legal que ele tenha procurado Deus. Bezerra vendeu muito disco e depois ficou jogado num hospital sem nenhum suporte.
Zeca Pagodinho, sambista
Bezerra sempre foi um ídolo para todos nós. Foi o herói da malandragem e sempre foi jovem de espírito. Vamos sentir muito a sua ausência. Que ele fique bem. Nós vamos estar juntos em pensamento, queimando tudo até a última ponta.
Barão Vermelho, banda que regravou Malandragem, dá um tempo
O samba está perdendo um grande baluarte. Era uma pessoa formadora de opinião e criadora de histórias. Sempre vinha com uma frase de efeito. Tratava do tema social há muito tempo, bem antes desse pessoal do hip hop, com muita irreverência e bom humor.
Rildo Hora, produtor musical
Bezerra era um grande sambista que também flertou com o pop, foi zambumbeiro de forró e atuava na música em diversos departamentos. Foi uma espécie de continuação de Moreira da Silva no sentido da malandragem do Rio, apesar de não ser carioca.
Pedro Luis, cantor e compositor
Bezerra era o defensor da gente, um cara que brigava pelos direitos dos autores. É uma grande perda que a malandragem e o mundo do samba está tendo. Fazia de tudo: coco, emboladas e repentes.
Marquinho Diniz, do Trio Calafrio, que teve músicas gravadas por Bezerra da Silva
Bezerra sempre gravou compositores que não tinham a oportunidade de aparecer na mídia. Nunca procurou outros gêneros de samba, foi sempre fiel ao que acreditava. Sua meta era retratar o local em que ele foi criado, a favela. O cotidiano do morro, a malandragem, o que acontecia ali em cima, com uma boa pitada de hmor... esse era o Bezerra.
Wanderlei Monteiro, sambista
Em minha pesquisa pude ver que ele fez uma verdadeira sociologia dos morros e mostrou sobretudo que as comunidades não são passivas. Seu repertório prova que os excluídos sabem muito bem quais são os problemas sociais e não são massa de manobra.
Letícia C. R Vianna, antropóloga, autora do livro Bezerra da Silva - Produto do morro, trajetória e obra de um sambista que não é santo