E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Especiais
Fashion Rio 2004
Chico Buarque

Colunistas

Longe do fantasma da crise

Daniel Burman diz que a independência criativa dos cineastas argentinos é garantida pelo apoio do Estado

Rodrigo Fonseca

Crise, uma palavrinha indispensável para se entender uma Argentina que entrou no século 21 com abalos financeiros e troca-troca presidencial, é um termo que o cineasta portenho Daniel Burman, 31 anos, evita usar. Até há uma alusão à ruína econômica que fustigou sua terra-natal em 2001 no longa-metragem que lhe rendeu o prêmio do júri no Festival de Berlim e fama internacional, O abraço partido (Argentina/ França/ Itália/ Espanha, 2004). Mas de forma velada, em diálogos que provocam riso, não indignação. Em cartaz na programação do Festival do Rio, a fita, que passa hoje, às 16h30 e 21h30, no Estação Paissandu, e amanhã, às 13h30, no Estação Ipanema 1, adota o humor para narrar o acerto de contas de um jovem judeu com o pai que o abandonou ainda menino.

– O abraço partido dá voz às microculturas do centro de Buenos Aires, como os judeus, coreanos, árabes. Todas muito fortes e unidas entre si. E não foi o falado colapso argentino que os uniu. Há um cotidiano cultural rico e próspero em meu país, ainda que os jornais tenham reduzido nossa realidade a uma manchete simplista como “crise na Argentina” – lamenta Burman, no Rio de Janeiro para participar do Festival, que chega ao fim amanhã, após 15 dias de salas de exibição lotadas.

Escolhido pela Argentina para representar o país no Oscar de filme estrangeiro, O abraço partido, que entra em circuito nacional no próximo dia 29, concentra-se em uma galeria comercial decadente de Buenos Aires. Lá, Ariel Makaroff (o uruguaio Daniel Hendler, Urso de Prata de melhor ator em Berlim pelo papel) passa os dias ajudando a mãe, Sonia (Adriana Aizemberg), no balcão de uma loja de lingerie. Não fica lá tempo integral. Ora sai para visitar o irmão, Joseph (Sergio Boris) em seu armarinho, poucos passos à frente, ora vai dar uns beijos na atendente da lojinha de internet, Rita (Silvina Bosco), e, por vezes, bate ponto no consulado polonês em busca de dupla cidadania.

Mas seu dia-a-dia está prestes a ser alterado pelo retorno do pai (Jorge D’Elía), que deixou seu lar para alistar-se no exército israelita. Esse temido reencontro é um pretexto para que Burman, revelado em 1993 com o documentário ¿En qué estación estamos?, revisite suas origens judaicas. Ele repetiu a dose no curto episódio que dirigiu para o longa 18 – J, assinado por mais nove realizadores judeus portenhos, que também passou no Festival do Rio.

– O que me permite fazer filmes que passeiam pela questão judaica é a liberdade que os produtores independentes têm na Argentina de falar de questões pessoais sem compromissos mercadológicos – diz o diretor, atribuindo sua livre expressão ao fundo de apoio ao cinema, mantido pelo governo argentino.

– Lá, não se especula sobre o futuro de um filme. Eles nascem pela necessidade de se contar uma história sem compromissos de mercado. E é essa política de Estado que garante e estimula a diversidade entre os realizadores. É o contrário do que acontece nos EUA, por exemplo, onde a política dos estúdios pasteuriza a produção.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[06/OUT/2004]


   Home > Caderno B


Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | JB Barra | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem
Acelera | Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas



Promoções

Serviços




Área do leitor



Assinaturas


Rio:
(21) 2323-1000

Demais estados:
0800-707-2000

Horário de atendimento:

• Segunda à sexta-feira de 6h30 às 18h

• Sábados, domingos e feriados de 7h às 14h