ZURIQUE -
Vários textos inéditos de Bertolt Brecht, entre eles 15 histórias que têm como protagonista ''o senhor Keuner'', foram descobertos na pequena localidade suíça de Brüttisellen, no cantão suíço de Zurique. O autor da façanha é o escritor suíço Werner Wüthrich, pesquisador da obra do dramaturgo alemão e autor de um livro sobre Brecht na Suíça, informa o semanário suíço
Weltwoche. A publicação dedicou seu último número a cinco dessas histórias do senhor Keuner, considerado por muitos o alter ego do autor. A editora alemã Suhrkamp já anunciou que publicará as histórias em livro a ser lançado em setembro.
Brecht (1898-1956) viveu exilado com sua família em Feldmeilen, junto ao lago de Zurique, entre novembro de 1947 e outubro de 1948, em uma casa que tinha posto a sua disposição a especialista em literaturas românicas Reni Mertens, que traduziria sua obra para o italiano. Depois da morte de Reni, em dezembro de 2000, uma de suas filhas se ocupou dos documentos em seu poder relacionados a Brecht e foi assim que eles chegaram a Brüttisellen, onde Wüthrich os descobriu.
Considerado um extremista de esquerda pelos americanos, Brecht chegou ao território suíço sem passaporte, vindo dos EUA, após ser citado no FBI e no Comitê sobre Atividades Antiamericanas do Congresso. Como explicou com ironia, certa vez, ao cineasta Erwin Leiser: ''Quando um homem é acusado de querer roubar a estátua da Liberdade, é hora de sair''.
Na neutra Suíça, segundo Wüthrich, Brecht foi submetido a espionagem pelas autoridades suíças, talvez aconselhadas pelos americanos, que se negaram inclusive a conceder-lhe permissão ilimitada de residência. Entre os clássicos de Brecht, que revolucionou o método teatral no século passado, estão A ópera dos três vinténs, Galileu, Mãe Coragem e O círculo de giz caucasiano. (Efe)