Nos últimos dias, uma série de manifestos com críticas e propostas ao documento foram divulgados, de diversas entidades representativas de cineastas, produtores, documentaristas, exibidores, distribuidores e de emissoras de rádios e TVs. Além disso, o anteprojeto está aberto a sugestões de qualquer internauta por meio do site do MinC (
www.cultura.gov.br), o que pode garantir vida longa às discussões, como vem acontecendo com a Lei Rouanet.
O secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira, ressalta a importância da Ancinav, que não só irá implementar uma política de cinema, mas também fiscalizar e até aplicar sanções sobre empresas do ramo.
- A falta de regulamentação fez com que o Brasil não acompanhasse as mudanças legislativas que ocorreram no segmento no mundo.
Para ele, alguns dos que criticam o projeto pretendem atrapalhar a criação da agência.
- Não é a primeira vez que há tentativas de impedir o lançamento da Ancinav. O lobby é tão óbvio que prefiro não dizer os nomes dos interessados em engavetar a proposta para não dificultar o diálogo, inclusive com eles - acusa.
O cineasta Cacá Diegues, contrário a vários pontos do projeto, rebate:
- Não queremos derrubar a Ancinav, mas não abro mão do direito de discutir o meu futuro. Há um medo de que o cinema brasileiro possa avançar sozinho, sem o controle do Estado. Este medo, inclusive, não está nas declarações do Gil, que já aceitou rever itens do projeto.
Apesar das divergências, Cacá e boa parte da classe artística concorda que o ministério de Gilberto Gil, que chegará à metade de seu mandato em quatro meses, deu um passo corajoso ao propor a reformulação da Lei Rouanet e a criação da Ancinav, idealizada ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, mas jamais colocada em prática.
Colaborou Gisele Teixeira