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Show para o instrumentista

Em apuro financeiro, Hélio Delmiro recebe solidariedade de artistas como Guinga, Nana Caymmi, Wagner Tiso e Macalé

Cecilia Giannetti

Divulgação

Delmiro está preso há dois meses

Ele já gravou com Tom Jobim, Elis Regina e Sarah Vaughan, produziu Clara Nunes, excursionou com Milton Nascimento e Elizeth Cardoso e criou, em 1981, um marco da música instrumental brasileira, Samambaia, com o pianista César Camargo Mariano. O currículo é extenso, mas, no momento, permanece estacionado: o violonista Hélio Delmiro, 58 anos, está detido há dois meses no 5º Distrito Policial de Santos, em São Paulo. Delmiro é diabético e, sem curso superior, está em cela comum, numa carceragem com capacidade para 24 homens que, atualmente, abriga 140.

O músico acumula uma dívida de R$ 11.500,00 em pensão alimentícia, valor que não tem condições de quitar. Foi detido um dia antes de começar a trabalhar como professor de música na Escola Souza Lima, em Santos. Sem fonte de renda e diante da dificuldade de acordo com a ex-mulher, Adriana, conta com nomes de peso da MPB para reverter a situação.

- Não me envolvo na questão familiar do Helinho, só estou fazendo o que posso através da música para tirá-lo da prisão. Ele deixou de pagar porque não tem dinheiro mesmo. É um artista consagrado, mas músico, no Brasil, você sabe como é... não tem situação estável. Com música instrumental, então, fica ainda mais difícil - avalia o compositor Moacyr Luz, amigo do instrumentista desde a adolescência, época em que dividiram um apartamento.

Moacyr é o responsável pela organização do show em benefício de Delmiro, que reunirá amanhã, às 21h, no Teatro João Caetano, Nana Caymmi, Guinga, Jards Macalé, Paulão Sete Cordas, Aldir Blanc, Wilson das Neves, João Lira, Victor Biglione, Wagner Tiso, Yamandú Costa, Leila Pinheiro, Cristóvão Bastos, Grupo Maogani, Trio Madeira Brasil, Zé Renato, Marco Pereira e Fátima Guedes. A renda da bilheteria (com ingressos a R$ 20) ajudará a quitar a dívida.

Em 2003, Delmiro chegou a propor à ex-mulher o parcelamento da quantia em dez vezes e um carro da família como parte do pagamento - a oferta foi recusada. Em maio de 2004, ofereceu pagar três meses de pensão, procedimento que costuma ser acatado. Ainda assim, teve prisão decretada pela juíza da 5ª Vara de Família do Distrito Federal e um pedido de habeas corpus negado.

- Tentamos fazer acordos, mas a Adriana não quis. Segundo ela, é tudo ou nada - conta Míria Moris, esposa de Delmiro.

Segundo Míria, há chance de que Delmiro seja solto na quinta-feira, mas tornará a ser preso se não conseguir levantar a verba e continuar inadimplente. A pena aumenta se ele for detido novamente e passa para 90 dias; e, na vez seguinte, pode chegar a um ano e meio.

- Querem que ele morra na cadeia para depois virar nome de rua? Ele deve dinheiro, sim, mas não merece ficar numa cela misturado com bandidos todo esse tempo. Se ele não estiver livre para trabalhar não terá como pagar - protesta a amiga Lívia Calazans dos Santos.

Adriana é mãe de três dos seis filhos de Delmiro: duas gêmeas de 19 anos - tempo em que ficaram casados - e um rapaz de 16. Procurada pela reportagem do Jornal do Brasil, Adriana se recusou a fazer declarações.

O Teatro João Caetano fica na Praça Tiradentes s/n, Centro (tel.: 2221-1223).


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[02/AGO/2004]


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