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Cadê o país cordial?

Miramax prefere filmes positivos sobre o Brasil

Rodrigo Fonseca

Marcello Bravo/ Divulgação
Marie Pia

Pia: chega de mundo cão

MIAMI, EUA - A todo-poderosa distribuidora Miramax Films, empresa que ajudou a fazer de Cidade de Deus um fenômeno nos EUA, não quer mais saber de exibir imagens dos problemas sociais brasileiros. Essa é a visão da produtora e vice-presidente do setor de criação e propaganda da casa, Marie Pia, 32 anos. Ela foi a responsável pelo trailer americano de Cidade de Deus e ajudou na comercialização do filme de Fernando Meirelles.

Há dias, ela não tem feito outra coisa a não ser assistir a produções made in Brasil. No caso, os longas e curtas que desfilaram pelo 8º Festival de Cinema Brasileiro de Miami, que se encerrou ontem à noite, e do qual participou como jurada. A seu lado, profissionais como a editora do Canal NBC6, Patty Vila, o diretor de aquisições do Eurochannel, Christian Poccard, e o cineasta Flavio Tambellini, um dos produtores de Cazuza - O tempo não pára.

- Depois de Cidade de Deus, os americanos precisam ter contato com uma visão mais otimista do Brasil, mais condizente com o que se conhece da cultura brasileira por aqui - afirma Marie.

A produtora, que já visitou cidades do país como Ribeirão Preto, em São Paulo, confessa ter elaborado o trailer de Cidade de Deus com foco nesse apreço dos americanos por tiros e explosões. Por isso ela se concentrou em imagens como as peripécias bandidas dos personagens Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora) e Mané Galinha (Seu Jorge). Mas afirma que o grande atrativo promocional no longa de Meirelles era o mesmo o fato de este ser um filme de ação não-alienado, coisa que praticamente se desconhece em Hollywood.

- Os americanos estão acostumados a uma violência postiça. Nossos filmes são violentos, mas quem protagoniza cada luta, quem mata, são exterminadores, os aliens, o Batman, enfim, nada é tão real como uma criancinha atirando no pé da outra. Esse é um aspecto que, por causa do código de censura, nem poderia ser veiculado nos trailers - explica Marie, que participou da coordenação das campanhas de marketing de Gangues de NY e Kill Bill - Volume 1.

Há nove anos na empresa criada pelos irmãos Harvey e Bob Weinstein, onde entrou como recepcionista e virou executiva da área de marketing, Marie cita A vida é bela, de Roberto Benigni, como um exemplo de filme estrangeiro que venceu nos EUA sem precisar escancarar mazelas do mundo cão.

- A vida é bela arrecadou cerca de US$ 100 milhões à custa de uma simpática história, ainda que ambientada na 2ª Guerra. O cinema precisa de histórias assim, que emocionem as pessoas.


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[14/JUN/2004]


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