Para Elizabeth D'Angelo, o diálogo entre escola e família, indispensável para a formação do aluno, é possível através do PNBE:
- Colocar sobre a escola o peso total da formação de leitores é algo totalmente inviável. Impor a cultura sem oferecer possibilidades para que isso tenha desdobramentos fora da escola não dá resultado.
Jeanete reconhece a importância de programas como o Literatura em Minha Casa, que oferece livros infantis às crianças, mas não abre mão da revisão do processo, cujo método de avaliação ainda não foi decidido:
- É fundamental ter acesso ao livro, mas o objetivo maior é transformar a distribuição em leitura efetiva - diz.
Elizabeth questiona o momento escolhido para a avaliação e lembra que o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) não sofreu alterações com a suspensão do edital do PNBE:
- Se o programa existe desde 1998, por que não avaliaram antes para saber se dava certo ou não? Por que o aluno pode ter livros didáticos em casa e não literatura?
Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) constatou, em 2002, a eficácia operacional da distribuição dos acervos do Programa, mas já questionava, então, seus resultados efetivos. Jeanete defende a decisão:
- Não posso responder pelo desenvolvimento do projeto na gestão anterior [de Cristóvão Buarque]mas, na nossa gestão, há um interesse na maneira como os acervos são utilizados - justifica, afirmando que os livros didáticos são lidos em sala de aula sob a orientação dos professores, o que confirma sua utilização.
Elizabeth discorda:
- Os livros didáticos não cumprem todo o dever, são colchas de retalhos de informação. A literatura é necessária.
Coordenador geral dos programas do livro no FNDE, Alexandre Serwy afirma que o Programa será mantido após a avaliação.
- Temos recursos para o ano que vem, e serão utilizados para uma nova distribuição em 2005. Não haverá prejuízo. Estamos só reavaliando resultados.